Mapa da TI do Rio mostra desigualdade no acesso a incentivos

Ferramenta reúne dados de 130 mil empresas de TIC no estado e orienta políticas públicas, expansão empresarial e alocação de investimentos

Rio torre 10 metros

O lançamento do Mapa 2.0 da TI do Rio de Janeiro colocou em evidência dois movimentos do setor de tecnologia da informação e comunicação no estado: a expansão do número de empresas e a persistência de desigualdades regionais no acesso a oportunidades e instrumentos de fomento. A plataforma, apresentada na última quarta-feira, na Casa de Inovação da PUC-Rio, reúne bases públicas para mapear a distribuição territorial das empresas de TIC, sua relação com editais de inovação e o potencial de crescimento em diferentes regiões fluminenses.

Segundo os dados divulgados, o estado do Rio de Janeiro reúne atualmente mais de 130 mil empresas ligadas à cadeia de TIC. Apenas em 2025, cerca de 21 mil novos CNPJs foram abertos no setor. A leitura proposta pelas entidades responsáveis pela ferramenta é que esse avanço quantitativo não elimina gargalos históricos, como a concentração territorial da atividade econômica e a dificuldade de parte das empresas para acessar mecanismos públicos de apoio.

Desenvolvido pelo Instituto ECOA em parceria com a TI Rio, o mapa cruza registros empresariais, atividades econômicas, dados de empresas inovadoras e informações sobre editais da FINEP. A intenção é transformar essas bases em uma ferramenta de leitura territorial do ecossistema, permitindo identificar onde as empresas estão concentradas, quais regiões apresentam maior dinamismo e onde há baixa inserção em políticas de incentivo.

TICs e política de desenvolvimento

A ferramenta foi concebida não apenas como vitrine do setor, mas como instrumento de apoio a decisões de investimento e formulação de políticas públicas. Para o presidente da TI Rio, Alberto Blois, a consolidação dos dados permite dar tratamento analítico a informações que antes estavam dispersas.

“O que fizemos foi organizar dados públicos e transformá-los em uma visão analítica da realidade da tecnologia no estado. Isso permite que empresas planejem expansão, que investidores identifiquem oportunidades e que o poder público desenhe políticas mais assertivas”, afirmou.

A abordagem dialoga com uma agenda mais ampla de política industrial e inovação aplicada às TICs. Em vez de limitar a análise ao número de empresas abertas, a proposta é observar também a capacidade de sustentação dos negócios já instalados, a densidade regional do setor e o grau de aproveitamento dos instrumentos de apoio existentes.

“Mais importante do que criar novas empresas é fortalecer as que já existem, aumentar o faturamento, garantir longevidade e tornar esse ecossistema mais sustentável”, disse Blois.

Incentivos não chegam de forma homogênea

A plataforma também foi apresentada como um mecanismo para identificar falhas de capilaridade nas políticas de incentivo. O diretor do Instituto ECOA PUC-Rio, Rafael Nasser, afirmou que o país dispõe de instrumentos robustos de estímulo à inovação, mas que eles ainda alcançam de forma limitada parte das empresas de TIC.

“O Brasil tem políticas públicas robustas de incentivo à inovação, mas elas ainda não chegam de forma eficiente a grande parte das empresas de TIC. O desafio é conectar essas pontas, academia, empresas e governo, para que esse sistema funcione plenamente”, afirmou.

Na visão dos organizadores, esse ponto reforça a necessidade de integração entre universidades, setor produtivo e poder público. O modelo, frequentemente descrito como “tripla hélice”, aparece como base para ampliar a efetividade dos incentivos e melhorar a conexão entre produção de conhecimento, empreendedorismo e financiamento.

Aplicações para empresas, investidores e gestores

De acordo com os responsáveis pelo projeto, o mapa pode ser usado por empresas interessadas em avaliar regiões com maior densidade de negócios ou disponibilidade de mão de obra, por investidores que buscam identificar vocações locais antes de alocar capital e por gestores públicos que precisem desenhar políticas regionais com base empírica. (Com assessoria de imprensa)

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Da Redação

O Tele.Síntese nasceu em 2005. É fruto de mais de 20 anos de experiência jornalística nas áreas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e telecomunicações. Foi criada com a missão de produzir e disseminar informação sobre o papel das TICs na sociedade.

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