Laércio vê ReData na pauta do Senado só após as eleições
Durante debate sobre infraestrutura digital, senador afirmou que projeto deve avançar após o recesso parlamentar, enquanto a Brasscom defendeu aprovação imediata para evitar perda de investimentos em data centers.
O futuro do Projeto ReData voltou ao centro das discussões sobre a política para data centers no Brasil, mas expôs uma divergência de ritmo entre o Congresso e o setor produtivo porque, enquanto o senador Laércio Oliveira (PP-SE) afirmou que pretende retomar a tramitação da proposta após o recesso parlamentar e o período eleitoral, representantes da indústria defenderam que o país não pode adiar a aprovação da medida sob risco de perder investimentos bilionários.

As informações foram divulgadas durante evento em Brasília, nesta terça-feira, 7, promovido pelo Instituto Livre Mercado para apresentação do estudo da FGV sobre o potencial do Brasil como hub internacional de infraestrutura digital.
Laércio: projeto é prioridade, mas calendário político impõe desafios
Ao abrir o evento, Laércio Oliveira comparou o ReData às discussões que conduziu como relator da Lei do Gás e do Profert, afirmando que vê na infraestrutura digital uma agenda estratégica para o desenvolvimento do país.
O senador lembrou que atuou para que a Medida Provisória que originou o debate caducasse, por discordar da limitação do incentivo apenas a fontes renováveis de energia, e disse que pretende reconstruir o texto no Senado.
“Eu acredito nesse projeto. Eu preciso pavimentar com vocês para que a gente ofereça aos investidores a segurança jurídica que esse negócio precisa.”
Laércio, contudo, reconheceu que o calendário legislativo pode retardar a votação.
“Eu sei que vai vir o recesso agora, fim de julho, talvez nada aconteça, depois começa o período eleitoral, mas a gente vai continuar trabalhando para avançar com um projeto que melhore a infraestrutura do nosso país.”
Apesar da perspectiva de demora, o senador assumiu compromisso pessoal com a proposta.
“Eu quero me envolver com esse projeto. Eu quero me dedicar a ele do mesmo jeito que me dediquei ao gás, que me dediquei aos fertilizantes.”
Segundo ele, a prioridade é construir um texto capaz de oferecer previsibilidade regulatória e aproveitar toda a oferta energética disponível no país, sem restringir os incentivos a determinadas fontes de geração.
Brasscom: Brasil não pode esperar o calendário eleitoral
A avaliação, porém, foi contestada durante o evento por Sérgio Sgobbi, diretor de relações institucionais da Brasscom.
Segundo ele, diferentemente do cenário apresentado pelo senador, o mercado global de infraestrutura digital opera em um ritmo incompatível com a espera pelo calendário político brasileiro.
“Ao contrário do senador Laércio, não dá para esperar as eleições. O ReData precisa ser aprovado agora.”
O executivo argumentou que as grandes empresas globais de tecnologia já estão definindo a localização de seus próximos investimentos e que o Brasil corre o risco de ficar fora dessa nova rodada de expansão caso permaneça sem um marco regulatório estável.
Para a Brasscom, o ReData representa um instrumento necessário para oferecer segurança jurídica e competitividade ao país diante da disputa internacional por projetos de data centers voltados à inteligência artificial.
Corrida global acelera pressão por definição
A defesa de uma aprovação rápida foi reforçada ao longo do evento por representantes da Scala Data Centers.
Segundo o vice-presidente sênior da empresa, Luciano Fialho, há cerca de US$ 725 bilhões previstos em investimentos apenas em 2026 pelas principais empresas globais do setor, enquanto projeções apontam investimentos entre US$ 5 trilhões e US$ 7 trilhões em infraestrutura digital nos próximos anos.
“A gente pode investir muito mais se o Brasil se tornar um lugar previsível. Essa é a palavrinha mágica.”
Fialho afirmou que o setor depende de políticas públicas coordenadas entre energia, indústria, telecomunicações e economia digital para capturar parte dessa expansão global.




