IA exige redes seguras e integradas, diz Cisco

No Cisco Connect, Ivan Duggan diz que IA exige redes redesenhadas, segurança integrada, automação e visibilidade sobre agentes e aplicações

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A Cisco afirmou no Cisco Connect Brasil 2026 que a adoção de IA está forçando uma reconfiguração da rede corporativa, com mais segurança embutida, automação operacional e visibilidade sobre agentes digitais, identidades e aplicações. Essa avaliação foi endossada por Ivan Duggan, managing director de vendas especializadas em SD-WAN e SASE, no painel “AI: Driving a Network Reimagination”, realizado nesta terça-feira, 1 de abril, em São Paulo.

Ao abrir a apresentação, Duggan comparou o momento atual à fase de convergência entre voz, vídeo e dados, mas afirmou que o ciclo agora é mais profundo. “Esta é a maior transformação que eu vi no mercado desde a convergência”, disse. Ele sustentou que a IA deixou de ser apenas uma camada adicional de software e passou a exigir mudanças na própria base de rede e segurança das empresas.

Ivan Duggan Cisco Connect

Agentes digitais ampliam a pressão sobre a rede

A principal mensagem do painel foi que a expansão da IA agêntica altera a escala da operação das redes e eleva o grau de complexidade do ambiente corporativo. Duggan afirmou que os agentes digitais passam a operar em velocidade de máquina, o que aumenta o volume de interações, exige mais controle e amplia o desafio de segurança.

“A IA vai mudar tudo o que você conhece, tudo o que você faz e como você interage”, afirmou. Com a explosão de agentes e aplicações baseadas em IA, a infraestrutura passa a operar em um ritmo inédito para as áreas de TI e segurança.

Segundo o executivo, o problema não se resume ao aumento do tráfego. A questão central é que as empresas terão de enxergar e administrar muito mais elementos dentro da rede, incluindo usuários, dispositivos, workloads e agentes criados com a crescente facilidade. “Muitos CIOs ainda não conhecem a maior parte das aplicações presentes na própria infraestrutura, o que torna mais difícil lidar com o avanço de agentes digitais”, disse.

Segurança passa a fazer parte da rede

O executivo defendeu que redes e segurança não devem mais ser tratadas como camadas separadas. Ele apresentou a arquitetura de “secure networking” como resposta à necessidade de aplicar políticas de acesso, segmentação, identidade, firewall e observabilidade diretamente na infraestrutura.

“Se não conseguimos ver, não conseguimos proteger. Precisamos da rede para ver e proteger”, afirmou o executivo ao resumir a visão da companhia sobre a relação entre visibilidade e segurança. “A leitura da Cisco é que a rede precisa funcionar como ponto de observação e de aplicação de políticas em tempo real”.

Esse raciocínio foi estendido à borda, ao campus, às filiais, ao acesso remoto e aos ambientes em nuvem. Duggan disse que workloads deixaram de ficar concentrados em um único lugar e passaram a circular entre data centers, internet, nuvem e sites remotos, o que exige controle mais amplo sobre o deslocamento das aplicações e sobre os riscos associados a esse tráfego.

Falta de profissionais reforça defesa da automação

O executivo também associou a nova complexidade da rede a um problema estrutural de mão de obra. Segundo ele, o número de engenheiros qualificados que saem das universidades não acompanha a quantidade de funções abertas no mercado.

“Há uma escassez significativa de talentos. É preciso automatizar”. Ele defendeu o uso de IA para reduzir carga operacional, acelerar resposta a incidentes e apoiar a gestão contínua da infraestrutura.

Duggan citou ferramentas como AI Assistant e AI Canvas, descritas como recursos voltados à leitura do que acontece na rede, geração de insights e automação de respostas. A proposta é que esses sistemas consigam identificar ameaças, aprender com decisões anteriores e executar ações futuras com menos intervenção manual.

Cisco usa a IA para defender arquitetura unificada

A Cisco aproveitou o painel para reforçar sua defesa de uma arquitetura unificada de rede e segurança baseada em SD-WAN, SASE, acesso seguro e firewall distribuído. O executivo afirmou que o mercado está migrando para modelos em que conectividade, aplicação de políticas e proteção trafegam de forma integrada entre nuvem, borda e rede corporativa.

Segundo ele, a companhia projeta crescimento maior do modelo de single-vendor SASE nos próximos anos e vê avanço da adoção entre empresas que já utilizam SD-WAN. Duggan ainda citou uma oportunidade de US$ 80 bilhões ligada a ciclos de renovação de switching, wireless, edge e segurança.

Mudança atinge também a governança

O executivo concluiu sua apresentação ao afirmar que essa reorganização já começa a alterar a tomada de decisão dentro das empresas. Áreas de segurança ganharam peso maior na definição de políticas, orçamento e critérios de rede, o que aproxima ainda mais as agendas antes tratadas separadamente por equipes distintas.

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Adriano Camargo

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