Murtra diz que soberania europeia exige escala, cibersegurança e IA própria

Presidente executivo da Telefónica defende consolidação telco, adaptação regulatória à aceleração da IA e prioridade para investimento em tecnologia

Marc Murtra MWC 2026
Imagem: divulgação/Telefónica

Marc Murtra, presidente executivo da Telefónica, afirmou no Mobile World Congress (MWC) que a União Europeia “precisa de escala”, de “uma regulação favorável à tecnologia” e de “mais velocidade” para avançar em soberania estratégica e tecnológica.

O executivo falou durante o painel “O que significa a soberania tecnológica estratégica para a Europa?”, moderado pelo diretor-geral da GSMA, Vivek Badrinath. O debate também teve a participação do CEO da Deutsche Telekom, Tim Höttges, e do CEO da Eutelsat, Jean-François Fallacher.

“Precisamos de escala, precisamos de uma regulação favorável à tecnologia e precisamos de mais velocidade”, disse Murtra.

Escala e consolidação do setor telco

Ele apontou a escala como o primeiro caminho para a Europa elevar sua soberania estratégica. A consolidação do setor permitiria que grupos de telecomunicações tenham mais recursos e ampliem a capacidade de investimento tecnológico. “Precisamos de empresas maiores, com mais recursos, maior capacidade de risco, melhor cobertura e a capacidade de realizar investimentos tecnológicos mais profundos”, afirmou.

Ao defender apoio a fusões e aquisições, Murtra vinculou o ganho de escala ao compromisso de investimento em tecnologia e ao que descreveu como um benefício coletivo para a sociedade. “Permitam-nos ganhar escala como parte de um contrato social mais amplo e, em troca, investiremos em tecnologia. Nos permitirá oferecer melhores serviços, aportar mais valor e reforçar nossa competitividade”.

Regulação com prioridade para tecnologia

O segundo eixo destacado por Murtra foi o regulatório. Ele afirmou que a regulação deve estabelecer prioridades e que, no período atual, a Europa deveria priorizar a criação de tecnologia, com ambiente que permita investimento e inovação.

“Acho que nos encontramos em um período em que devemos dar prioridade à criação de tecnologia. A regulação deve ser favorável à tecnologia e permitir investimento e inovação”, disse.

“Mais velocidade” diante da aceleração da IA

Como terceiro ponto, Murtra pediu rapidez na adaptação regulatória ao cenário de mudanças aceleradas com a inteligência artificial. Ele afirmou que não viu transformação “mais profunda” do que a observada nos últimos três meses, com novos modelos surgindo quase mensalmente, e defendeu que esse ritmo altera a forma de programar, testar e desenvolver produtos digitais.

“Neste setor, fomos testemunhas de mudanças tecnológicas compostas durante 30 anos. Mas não acho ter visto uma mudança mais profunda do que a dos últimos três meses com a IA”, disse.
“Estamos vendo novos modelos de IA quase a cada mês. A forma de programar, testar programas e desenvolver produtos mudou por completo em apenas três meses”, acrescentou.

Cibersegurança, hiperescaladores e IA própria

Murtra relacionou soberania a produtos digitais e afirmou que a autonomia estratégica exige capacidades próprias de cibersegurança na Europa.

“Se quisermos autonomia estratégica, precisamos de nossas próprias capacidades de cibersegurança”, afirmou. Ele também disse que os hiperescaladores se beneficiam do maior tamanho e advertiu que depender de software e tecnologia de terceiros pode trazer riscos.

“Os hiperescaladores lidam com enormes quantidades de informação, e se dependermos de software e tecnologia de terceiros, essa tecnologia pode ser potencialmente utilizada para outros fins”, declarou.

Ao tratar de IA, Murtra defendeu que a soberania europeia passa por capacidades próprias e por acesso aos algoritmos que influenciam como as pessoas percebem o mundo.

“Não vejo como a Europa pode ser soberana sem produtos de cibersegurança, sem gestão de software hiperescalável, sem capacidades de inteligência artificial e sem acesso aos algoritmos que determinam como nossas crianças, nossos adolescentes e nossos adultos percebem o mundo”, afirmou.

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Da Redação

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