IA como prioridade — mas ainda em construção

O uso de IA nos times de tecnologia no Brasil avançou de forma significativa ao longo de 2025, mas ainda enfrenta limitações, observa a colunista Alessandra Montini

Alessandra Montini IA

Por Alessandra Montini* – O uso de inteligência artificial nos times de tecnologia no Brasil avançou de forma significativa ao longo de 2025, mas ainda enfrenta limitações quando se trata de gerar ganhos consistentes no desempenho das organizações. A conclusão é do Leading Tech Report 2026, estudo com 143 líderes das áreas de Produto, Engenharia e Inovação.

De acordo com o levantamento, 82,6% das empresas ampliaram o uso de ferramentas de IA no último ano. Apesar do avanço, apenas 31,5% atingiram um nível elevado de maturidade na aplicação da tecnologia, o que evidencia um descompasso entre adoção e efetiva transformação operacional.

A Inteligência Artificial já deixou de ser promessa para se tornar realidade no dia a dia das equipes de tecnologia. Ferramentas baseadas em IA estão acelerando tarefas, aumentando a produtividade e transformando a forma como desenvolvedores, analistas e profissionais digitais trabalham. No entanto, apesar desses avanços visíveis, o impacto real nos resultados de negócios ainda é limitado — e isso revela um descompasso importante entre adoção tecnológica e maturidade organizacional.

Ganhos operacionais já são concretos

Ainda de acordo com levantamento, a IA tem sido amplamente utilizada para otimizar tarefas específicas, como geração de código, automação de processos e análise de dados.

Esse movimento tem gerado ganhos rápidos de eficiência. Atividades que antes levavam horas agora podem ser realizadas em minutos, liberando profissionais para funções mais estratégicas. Em áreas como engenharia de software, por exemplo, ferramentas de IA já fazem parte do fluxo de trabalho cotidiano.

Esse cenário confirma uma tendência global: a IA está sendo adotada primeiro como uma alavanca de produtividade individual.

O paradoxo: muito uso, pouco impacto no negócio

Apesar da adoção crescente, os ganhos ainda não se traduzem de forma consistente em resultados corporativos mais amplos. O principal motivo está na baixa maturidade operacional das empresas.

Muitas organizações ainda utilizam a IA de forma pontual, sem integração real com processos críticos ou estratégia de negócio.

Ou seja, a tecnologia está presente, mas não está plenamente conectada ao que realmente gera valor: receita, eficiência sistêmica e vantagem competitiva.

Esse é o grande paradoxo atual da IA: uso crescente, mas impacto limitado.

O desafio da maturidade organizacional

Para que a IA deixe de ser uma ferramenta tática e passe a ser um motor de transformação, é necessário avançar em três frentes principais:

● Integração com processos de negócio: IA não pode operar isoladamente;

● Capacitação de equipes: falta de conhecimento ainda é uma barreira relevante;

● Clareza sobre retorno (ROI): empresas precisam conectar IA a resultados mensuráveis.

Além disso, fatores como cultura organizacional, qualidade de dados e governança tecnológica ainda limitam o avanço.

IA como prioridade — mas ainda em construção

Mesmo com essas limitações, a IA já é prioridade estratégica para muitas empresas. Pesquisas indicam que organizações estão aumentando investimentos e enxergam a tecnologia como central para o futuro dos negócios.

No entanto, há uma diferença clara entre priorizar e executar bem. A maioria ainda está nos estágios iniciais dessa jornada.

Empresas que conseguem extrair valor real da IA compartilham algumas características: Tratam IA como parte da estratégia, não como experimento; Integram dados, tecnologia e pessoas; Medem impacto com indicadores claros e escalam soluções além de testes isolados.

Essas organizações conseguem transformar produtividade em vantagem competitiva, algo que a maioria ainda não alcançou.

A Inteligência Artificial já está redefinindo a forma como o trabalho acontece, especialmente na área de tecnologia. No entanto, seu verdadeiro potencial ainda não foi plenamente capturado pelos negócios.

O momento atual não é mais sobre adotar IA, mas sobre saber usá-la com maturidade.

Empresas que conseguirem fazer essa transição — da eficiência operacional para o impacto estratégico — serão as que, de fato, liderarão a próxima onda de transformação digital.

* Alessandra Montini é diretora do LabData, da FIA e escreve mensalmente a coluna Montini Insights no Tele.Síntese

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