Comissão Europeia fecha contrato de €180 milhões para nuvem soberana

Acordo seleciona fornecedores europeus para serviços de cloud e reforça a estratégia da UE de reduzir dependência tecnológica externa

Comissão europeia nuvem soberana

A Comissão Europeia anunciou nesta sexta-feira, dia 17, a adjudicação de sua licitação para serviços de nuvem soberana, que permitirá a instituições, órgãos, escritórios e agências da União Europeia contratar esses serviços por até € 180 milhões ao longo de seis anos. Segundo o órgão, a concorrência foi lançada em outubro de 2025 como parte dos esforços para reforçar a soberania digital das entidades da União e estimular a oferta de soluções compatíveis com as leis e os valores europeus.

Foram selecionados quatro grupos. A lista inclui uma parceria luxemburguesa-francesa liderada pela Post Telecom, com OVHcloud e CleverCloud; a alemã StackIT, do grupo Schwarz; a francesa Scaleway, do grupo Iliad; e uma parceria belga-franco-luxemburguesa liderada pela Proximus, com uso de serviços da S3NS, além de Clarence e Mistral. A Comissão afirmou que a divisão em quatro contratos busca assegurar diversificação e resiliência, evitando dependência de um único fornecedor.

Critérios para a seleção

Para a seleção dos fornecedores, a Comissão desenvolveu um Cloud Sovereignty Framework, que transforma o conceito de soberania digital em critérios objetivos de contratação. De acordo com o comunicado oficial, o modelo mede a soberania dos provedores em oito objetivos concretos, cobrindo dimensões estratégicas, legais, operacionais e ambientais, além de transparência da cadeia de suprimentos, abertura tecnológica, segurança e conformidade com a legislação da União Europeia.

Esse framework mede soberania em oito objetivos concretos, incluindo critérios estratégicos, legais, operacionais, ambientais, de transparência da cadeia de suprimentos, abertura tecnológica, segurança e conformidade com a legislação da União Europeia. Ele também criou níveis de garantia chamados SEAL. A escala vai de SEAL-0, para provedores sem demonstração de soberania, até SEAL-4, que exige cadeia de suprimentos integralmente europeia, de chips a software.

Para participar da licitação, os concorrentes precisavam atingir no mínimo o nível SEAL-2, definido pela Comissão como nível de soberania de dados. Segundo o órgão, a maior parte dos vencedores alcançou SEAL-3, nível associado à resiliência digital e à imunidade a interrupções na cadeia de suprimentos causadas por terceiros de fora da União Europeia.

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Adriano Camargo

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