Futuro da agricultura depende de bioeconomia e tecnologia, diz pesquisadora da Embrapa

Redução significativa de impacto ambiental aliada ao aumento da capacidade produtiva será alcançada por meio do uso de novas soluções tecnológicas, indica especialista
Futuro da agricultura dependa de bioeconomia e tecnologia, diz pesquisadora da Embrapa
Bioeconomia e tecnologia são fundamentais para o progresso da agricultura, afirmou pesquisadora da Embrapa

O Brasil tem o desafio de produzir mais alimentos sem aumentar as áreas cultiváveis. Isso será possível desde que a agricultura passe por uma transição com foco em bioeconomia e tecnologia, disse Paula Packer, pesquisadora chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, nesta quarta-feira, 15, durante o evento AGROtic 2023, realizado pelo Tele.Sintese em parceria com a ESALQTec.

“Daqui para frente, na agricultura, tem que ser agro, bio e tech. Se não for assim, não há redução de impacto [ambiental]”, frisou.

Em sua fala, Paula destacou que, segundo estimativas, a população mundial chegará a 9,7 bilhões em 2050. Com essa perspectiva, a produção de alimentos terá de crescer. Contudo, desmatar com o objetivo de ampliar as áreas de produção está fora de questão.

“O agronegócio do futuro tem que vir com bio e tech. Estamos em um processo de transição, saindo de uma economia baseada na usurpação da natureza”, afirmou.

Além disso, a pesquisadora salientou que os setores público e privado precisam mostrar aos pequenos produtores a capacidade dos bioinsumos. “Na hora que ele entender, ele vai se perguntar por que passou tanto tempo usando químicos”, conjecturou.

Saúde financeira

A pesquisadora da Embrapa pontuou que “não adianta pensar no verde se o agricultor está no vermelho”.

Nesse sentido, Felipe Albuquerque, executivo de desenvolvimento de novos negócios de carbono da divisão agrícola da Bayer, disse que produtores agrícolas buscam produtividade, de modo que ações sustentáveis precisam estar associada a tecnologias mais eficientes.

“Se não der produtividade para o agricultor, ele não vai fazer”, opinou.

A Bayer tem o objetivo de reduzir as emissões agrícolas em 30% até 2030. A empresa também quer capacitar 100 milhões de pequenos agricultores no mundo com conhecimento e soluções customizáveis para cada negócio.

“Gerar crédito de carbono é uma demanda muito transnacional. O que precisamos é produzir melhor”, salientou. “O mundo clama por ações de escala com esse objetivo”, complementou.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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