Fusão de ISPs no Brasil é bom para o mercado, diz controladora da Claro

No momento, América Móvil descarta aquisição de outras empresas, mas se diz aberta a oportunidades; lucro líquido da companhia cresceu 89,1% no segundo trimestre, apesar da baixa de 4,6% da receita; Claro Brasil contribuiu com 37,6% das novas assinaturas de serviços móveis no período
América Móvil avalia positivamente a fusão de ISPs no Brasil
Dona da Claro, América Móvil considera positiva fusão de ISPs no Brasil (crédito: Reprodução)

A notícia de que a Vero e a Americanet decidiram se fundir, divulgada ao mercado na terça-feira, 11, já chegou à América Móvil. Em conferência sobre os resultados financeiros do segundo trimestre, nesta quarta-feira, 12, a controladora da Claro pontuou que considera positiva a consolidação do mercado de provedores de serviços de internet (ISPs) no Brasil.

“Para nós, é bom que o mercado se consolide, há muitos players no Brasil”, afirmou Daniel Hajj Aboumrad, CEO da América Móvil. “Vero e Americanet estão se fundindo, é bom, essas companhias precisam se consolidar. É bom para o mercado”, acrescentou.

O executivo disse que, no momento, a companhia descarta realizar qualquer aquisição no mercado e que busca incrementar os investimentos em fibra óptica.

“Vemos oportunidades de crescimento do capex na América Latina. Vamos investir mais em fibra. Estamos abertos a oportunidades de M&A [fusão e aquisição, na sigla em inglês], mas não estamos olhando nada agora”, sinalizou Aboumrad.

Além disso, o CEO ressaltou que a companhia está “crescendo bem em rede” e “começando a crescer de novo em banda larga fixa” no País – no segundo trimestre, a receita líquida do serviço no Brasil avançou 8%.

Ainda sobre as operações no território brasileiro, o executivo afirmou que a empresa está em busca de “clientes rentáveis” no segmento corporativo, o que deve ser a estratégia para ganhar market share no setor.

Balanço

No segundo trimestre deste ano, a América Móvil obteve lucro líquido de 25,87 bilhões de pesos mexicanos (aproximadamente R$ 7,40 bilhões), alta de 89,1% na comparação com o mesmo período de 2022, quando reportou ganhos de 13,68 bilhões de pesos mexicanos (R$ 3,91 bilhões).

Na comparação anual, a receita líquida caiu 4,6%, para 203 bilhões de pesos mexicanos (R$ 58 bilhões). O faturamento dos serviços diminuiu 4,2%, totalizando 169,2 bilhões de pesos mexicanos (R$ 48,4 bilhões).

“Assim como no trimestre anterior, isso refletiu a valorização do peso mexicano em relação às nossas outras moedas operacionais no período. Corrigindo os efeitos do câmbio, a receita de serviços aumentou 5%, um ritmo ligeiramente inferior ao observado no trimestre anterior”, explica a holding, em trecho do informe financeiro.

A companhia também informou que, com base em taxas de câmbio constantes, os serviços fixos avançaram 2,3% em termos de receita. O setor móvel, por sua vez, cresceu 6,7%, desacelerando em relação aos 9,3% observados no trimestre imediatamente anterior.

“A desaceleração do crescimento da receita de telefonia móvel decorre principalmente da normalização da receita de telefonia móvel no Brasil exatamente um ano após a integração da receita de antigos clientes móveis da Oi adquiridos pela Claro”, destaca a empresa. Na prática, o crescimento da receita proporcionado por clientes migrados da Oi caiu para 0,8%, ante 6,4% no ano anterior.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBTIDA) encolheu 3,8% no segundo trimestre, somando 78,7 bilhões de pesos mexicanos (R$ 22,51 bilhões). Todavia, levando em conta taxas cambiais constantes, aumentou 5,6%. A margem ficou em 38,9%, 0,4 ponto percentual superior à do mesmo período de 2022 (38,5%).

A dívida líquida, excluindo aluguéis, totalizou 358 bilhões de pesos mexicanos (R$ 102,4 bilhões) ao fim de junho de 2023.

Operacional

Somando todas as operações, a América Móvil adquiriu 2,2 milhões de usuários móveis no segundo trimestre, com destaque para as 827 mil novas assinaturas da Claro Brasil (37,6% do total).

No segmento fixo, as adições de 45 mil clientes no Brasil ficaram atrás apenas de México (140 mil) e Argentina (78 mil).

O documento financeiro também trouxe mais detalhes sobre as atividades da subsidiária no território brasileiro. A base de clientes de serviços móveis da Claro Brasil teve queda de 2,4%, na comparação anual, caindo de 85,73 milhões, no segundo trimestre de 2022, para 83,67 milhões, no mesmo período deste ano. As assinaturas pós-pagas aumentaram 1,1%, enquanto as pré-pagas diminuíram 6,9%.

Além disso, a holding ressaltou que a queda de receita do serviço de TV por assinatura no Brasil está diminuindo. A baixa no segundo trimestre foi de 5,1%, perda inferior ao do mesmo período de 2022 (-11,2%).

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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