Frederico: Plataformas de telemedicina como opção interessante de SVA

O acesso a livros digitais, streaming e plataformas educacionais são SVAs oferecidos por muitas operadoras. O advogado apontou plataformas de telemedicina como uma nova opção para essas empresas oferecerem para os clientes

Plataformas de telemedicina como opção interessante de SVA
Plataformas de telemedicina podem ser um SVA diferencial para operadoras – Frederico God | Foto: Divulgação

Por: Frederico God

Muitos clientes de operadoras de telecom podem nunca ter ouvido falar em Serviços de Valor Agregado (SVA), mas é certo que se analisarem com calma a fatura mensal esses pontos estarão lá, mesmo que não tenham sido contratados diretamente.

Falo, aqui, dos extras que vêm nos pacotes de internet, telefonia ou televisão a cabo, como acesso a livros digitais, streaming e plataformas educacionais, serviços que se configuram tanto como diferenciais para escolher determinado provedor como trazem benefícios tributários para as operadoras.

A Lei n. 9.472/1997, que regula as telecomunicações no Brasil, define SVA como “atividade que acrescenta, a um serviço de telecomunicações que lhe dá suporte e com o qual não se confunde, novas utilidades relacionadas ao acesso, armazenamento, apresentação, movimentação ou recuperação de informações”.

Para as operadoras, além de atrair mais clientes, os SVAs reduzem a carga tributária, uma vez que sobre eles incide Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal cuja alíquota não ultrapassa 5%. Sobre o restante da fatura, no entanto, incide Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência estadual, que pode ultrapassar os 20% dependendo da localidade.

Suponhamos que uma empresa de telecom que fatura R$ 1 bilhão mensalmente consiga economizar 15% de ICMS porque oferta SVAs. No ano, haverá uma economia que varia de R$ 70 bilhões a R$ 80 bilhões. Um valor considerável, não?

Os SVAs mais comuns costumam ser os já citados livros digitais, plataformas de streaming e cursos a distância, mas não estão limitados a eles. Uma opção interessante para estar no radar das operadoras são as plataformas de telemedicina.

Num primeiro momento, a telemedicina se popularizou por necessidade, durante o período da pandemia de Covid-19, que exigia o distanciamento social. Passado esse momento crítico, contudo, verificou-se que para muitas áreas da saúde era perfeitamente possível e eficaz seguir utilizando esse modelo.

Após a regulamentação da atividade no país, com a promulgação da Lei n. 14.510/2022, os atendimentos por telemedicina cresceram 172% no Brasil, segundo dados da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde). Isso porque de 2020 até o fim de 2022 foram realizadas 11 milhões de consultas remotas. No ano seguinte, foram 30 milhões de atendimentos.

Esses dados comprovam que a população se adaptou bem à telemedicina, é um serviço que tem bastante procura. Ofertar o acesso a plataformas do gênero como SVA, portanto, é um diferencial muito interessante, que certamente seria usufruído pelos clientes de telecom.

*Frederico God é advogado, conselheiro e investidor atuando em setores como automotivo, data centers, energia, infraestrutura, serviços financeiros, saúde, TI e varejo.

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Redação PISP

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