Eutelsat propõe uso de satélite para acelerar fim da TV analógica

Seria possível antecipar em até três anos a migração para a TV digital usando-se infraestrutura híbrida, que mescla satélites e redes terrestres, segundo executivo da empresa.
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Ilustração do Eutelsat 65 West A, que entrou em operação em abril

A operadora de satélites Eutelsat mostrou a radiodifusores, operadoras e Anatel a viabilidade de usar uma infraestrutura híbrida de TV para acelerar o desligamento da TV analógica no país. A infraestrutura híbrida mescla áreas cobertas por redes terrestres, e outras áreas cobertas por satélite. De acordo com a companhia, o Brasil poderia antecipar o cronograma de desligamento em até três anos com a arquitetura. A estimativa atual é que o switch-off termine apenas em 2023.

“Se o sistema fosse aplicado no Brasil, conseguiríamos reduzir o prazo provavelmente em dois ou três anos”, estima Christoph Limmer, vice-presidente global de vendas e desenvolvimento comercial em vídeo da Eutelsat. Segundo ele, a tecnologia para fazer um switch-off acelerado, usando-se a infraestrutura satelital no país, existe.

O desafio recairia sobre as políticas públicas para preparar a população. “O problema seria a gestão de set-top box. O consumidor tem que acesso ao hardware. Comprando-se o set-top box, a transmissão digital por satélite já começa amanhã”, falou, em encontro com jornalistas nesta terça-feira, 17, em São Paulo.

Limmer acrescenta que, devido à topografia da região, nenhum país da América Latina será capaz de arcar com o desligamento da TV analógica sem a ajuda que vem do espaço. ” A questão será em que momento vão lançar mão do satélite. Será quando 60% da migração estiver concluída? Com 70%? O satélite hoje tem outras vantagens. Nossa cobertura cobre o Brasil especificamente, sem risco sintonia do conteúdo em outros países, uma segurança para a gestão de direitos autorais”, diz.

Rodrigo Campos, presidente da Eutelsat no Brasil, diz que ainda não é tarde para uma revisão do projeto que incorpore o uso do satélite. Ressalta, ainda, que preço já deixou há muito de ser problema. “O estigma de o satélite ser caro existe, especialmente quando se pensa em cobrir com banda larga a Avenida Paulista, onde há muitas alternativas. Mas para a cobertura televisiva, em que uma transmissão atinge milhões de pessoas ao mesmo tempo, o satélite é muito barato”, compara.

Banda larga, TV paga e vídeo
A TV aberta é, porém, uma parcela do mercado que interessa à Eutelsat no Brasil. A empresa já começou a operar o satélite Eutelsat 65 West A, que dirige mais de 50% de sua capacidade ao Brasil, mas cobre também América Latina, Caribe, parte dos Estados Unidos e Europa. O artefato tem 24 beams (feixes) em banda Ka, dos quais 16 ao país. E toda a capacidade para banda larga foi locada pela Hughes, que começa a vender seu acesso satelital em junho.

A operadora de satélites acredita em uma retomada do mercado brasileiro de DTH, que se retraiu nos últimos dois anos. Citando dados da consultoria AT Kearney, estima que em 2020 existam 20 milhões de assinantes de TV por satélites no Brasil. Atualmente, são 16 milhões. Ao mesmo tempo, as operadoras vão precisar de mais capacidade na banda Ku para adicionar os canais HD a sua grade.

Até 2020, espera-se uma oferta local de 627 canais em alta definição. A empresa não diz quantos canais HD existem atualmente no país. Para garantir seu filão, a empresa está pagando a atualização dos equipamentos no “head end” para que as programadoras e operadoras de TV por assinatura possam usar o novo satélite 65 West A. Ao todo, 140 pontos de operadores serão atualizados, atendendo a 99% do mercado.

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam em agosto, são encarados também como oportunidade. O novo satélite tem 10 transponders para a distribuição de vídeo em banda C, e a empresa espera fechar contratos para mandar o sinal a países europeus nos próximos meses.

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Rafael Bucco

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