EUA vs. China: acusações de obstrução de Justiça são atribuídas a Huawei

Governo norte-americano afirma que chineses tentaram espionar e subornar um agente do FBI para favorecer empresa em processo aberto no país.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou, nesta segunda-feira, 24, que dois cidadãos da China tentaram aliciar um agente do FBI para obter informações privilegiadas de forma indevida sobre processo contra uma empresa de tecnologia asiática que sofre restrições no país norte-americano. Apesar do governo não citar o nome da companhia, a imprensa dos EUA atribuiu a acusação a Huawei, pela compatibilidade de datas e versão de interlocutores. 

De acordo com procuradores, os dois acusados, identificados como “oficiais de inteligência da China” creditavam ter recrutado o funcionário do governo dos EUA como um infiltrado. Mas, na verdade, tratava-se de um agente duplo, trabalhando em nome do FBI.

A denúncia cita que os réus tentaram subornar o agente para obter informações sigilosas, incluindo arquivos da Procuradoria dos EUA. “Eles o fizeram na esperança de obter a estratégia da promotoria, informações confidenciais sobre testemunhas, provas de julgamento e possíveis novas acusações a serem feitas contra a empresa”, disse o procurador-geral Merrick B. Garland em comunicado à imprensa.

“Esta foi uma tentativa flagrante dos oficiais de inteligência da RPC [República Popular da China] de proteger uma empresa sediada na RPC da responsabilidade e minar a integridade do nosso sistema judicial”, disse Garland.

A Huawei não comentou o caso até a última atualização desta reportagem.

EUA e Huawei

O caso é atribuído a Huawei porque a denúncia diz que os réus atuaram em 2019, ano que coincide com o início do indiciamento da companhia no país. O Departamento de Justiça dos EUA também afirma que se trata de empresa de telecomunicações que passou por restrições para compra de equipamentos tecnológicos norte-americanos, o que também é o caso da empresa. 

A Huawei foi indiciada nos Estados Unidos em 2018, suspeita de conspirar contra segredos comerciais de empresas norte-americanas e auxiliar manifestações antigovernamentais. Desde então, a empresa nega as acusações. 

Em 2019, a empresa foi banida dos EUA. À época, o governo incluiu a companhia em uma lista de empresas proibidas de comprar tecnologia americana livremente. 

A política norte-americana de restringir empresas chinesas cresceu a cada ano. Recentemente, passaram a vigorar medidas que impedem de forma geral a comercialização entre EUA e China de insumos estratégicos de tecnologia — para fabricação de semicondutores ou ferramentas de computação avançada.

Com informações de assessoria de imprensa e agências internacionais.

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Da Redação

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