Escassez de memória, SSD e processadores pressiona mercado de servidores, diz Positivo
Executivo da Positivo Servers vê alta de preços e falta de componentes, mas diz que a fabricante se antecipou à escassez reforçando estoques

A Positivo Servers & Solutions avalia que a escassez de memória, SSDs e processadores passou a pressionar com mais força o mercado de servidores no Brasil, afetando preços, planejamento de compras e reposição de estoques. O relato foi feito pelo CEO da empresa, Silvio Campos, ao Tele.Síntese, ao comentar o lançamento de um novo servidor da companhia e o ambiente atual de suprimentos. Segundo ele, o problema hoje não se limita à memória: já alcança também SSDs e chips de processamento.
De acordo com o executivo, a companhia percebeu piora nas condições de oferta a partir do fim de 2025. A produção global de memória tem sido majoritariamente absorvida por grandes compradores ligados à inteligência artificial e aos hyperscalers, reduzindo a disponibilidade para os demais segmentos do mercado. “Sobrou um pouco da produção para o mercado”, observou.
Memória e SSDs concentram a maior pressão
O ponto mais agudo, segundo ele, está nos preços de memória e SSD. Silvio afirmou que os aumentos chegaram a múltiplos relevantes em comparação com os valores anteriores. “Você pega o preço da memória e coloca mais um zero. Esse é preço da memória atual”, disse.
Segundo ele, o mercado ainda espera mais reajustes no curto prazo. Para reduzir a volatilidade para os clientes, ele contou que a Positivo Servers formou estoques antecipadamente a fim de garantir o lançamento do novo produto e para o trimestre inicial de comercialização.
Esse movimento, no entanto, não elimina o problema estrutural. Campos diz que os preços dos servidores vão aumentar gradualmente. “Alguns fornecedores já trabalham com validade de proposta de apenas uma semana, devido à oscilação dos custos dos componentes”, contou.
Além de memória e armazenamento, Campos relata falta de processadores. O executivo disse ainda que a empresa tem conseguido alocação para atender sua demanda, mas que já trabalha com encomendas futuras para garantir fornecimento. “A estratégia da Positivo é se preparar para a demanda do mercado e trazer estabilidade para o cliente”, afirmou.
Efeito sobre servidores e data centers
A seu ver, esse ambiente altera a dinâmica de compra dos clientes corporativos. Servidores costumam ser configurados para ciclos de uso de cinco a sete anos, mas a pressão de custos pode levar empresas a adquirirem configurações mais enxutas no início e ampliarem memória e armazenamento mais adiante, quando o mercado estiver menos pressionado.
O executivo disse que essa ainda não é uma tendência consolidada, mas já aparece como recomendação possível em alguns casos, especialmente quando o orçamento ficou defasado diante da alta dos componentes.
A leitura é que a demanda por capacidade computacional segue aquecida, em especial no entorno de data centers, virtualização e nuvem. Nesse contexto, a restrição de oferta de componentes passa a ter efeito direto sobre o custo final dos equipamentos vendidos no Brasil e sobre a previsibilidade de entrega para os clientes.




