Resultado da Ericsson no 1º tri é afetado pela crise das memórias
Fornecedora sueca reporta crescimento orgânico de 6% no primeiro trimestre de 2026, com avanço em todos os segmentos, e diz que busca compensar alta de insumos com clientes, fornecedores e substituição de produtos.

A Ericsson informou nesta sexta-feira, 17, que está enfrentando aumento de custos de insumos, especialmente em semicondutores. A companhia atribui o fato à demanda gerada por inteligência artificial, o que aumento os custos de memórias e processadores. Segundo o presidente e CEO Börje Ekholm, isso será compensado por meio de trabalho conjunto com clientes e fornecedores, além de substituição de produtos e ações de eficiência.
O objetivo, informou a empresa, é reforçar a resiliência da cadeia de suprimentos. Na apresentação ao mercado, Ekholm afirmou que a empresa reduziu a dependência do mix geográfico. E atribuiu parte da leve queda de rentabilidade em Networks a medidas para ampliar a resiliência do supply chain.
Impacto dos custos e desempenho financeiro
Os comentários foram feito na divulgação dos resultado do primeiro trimestre do ano. No período, as vendas líquidas reportadas ficaram em SEK 49,3 bilhões (US$ 5,15 bilhões), queda de 10% em termos nominais, pressionadas por efeito cambial negativo de SEK 7,8 bilhões (US$ 815 milhões). Ainda assim, no critério orgânico, houve crescimento de 6%.
O lucro bruto ajustado somou SEK 23,7 bilhões (US$ 2,48 bilhões), com margem de 48,1%, ante 48,5% um ano antes. O EBITA ajustado ficou em SEK 5,6 bilhões (US$ 585 milhões), com margem de 11,3%, abaixo dos 12,6% registrados no primeiro trimestre de 2025.
A companhia também reportou fluxo de caixa livre antes de fusões e aquisições de SEK 5,9 bilhões (US$ 617 milhões), acima dos SEK 2,7 bilhões (US$ 282 milhões) de igual período do ano passado. A posição de caixa líquido ao fim de março chegou a SEK 68,1 bilhões (US$ 7,12 bilhões).
Redes móveis sustentam a operação
O segmento Networks, principal negócio da empresa, teve crescimento orgânico de 7%, embora a receita reportada tenha recuado 8%, para SEK 32,9 bilhões (US$ 3,44 bilhões), por efeito cambial. A margem bruta ajustada da divisão ficou em 50,4%, levemente abaixo dos 51% de um ano antes. Segundo a Ericsson, a redução refletiu justamente medidas para reforçar a resiliência da cadeia de suprimentos.
Já Cloud Software and Services cresceu 4% organicamente. A receita reportada recuou 9%, para SEK 11,8 bilhões (US$ 1,23 bilhão), mas a margem bruta ajustada avançou para 43,2%, ante 39,9% um ano antes, beneficiada por mix de produtos e melhora na eficiência de entrega.
No segmento Enterprise, houve crescimento orgânico de 4%, puxado por Global Communications Platform, mas a receita reportada caiu 30%, para SEK 4,2 bilhões (US$ 439 milhões), refletindo principalmente a venda da iconectiv em 2025.
Por regiões, a Ericsson reportou crescimento orgânico de 10% em Europa, Oriente Médio e África, de 12% no Sudeste Asiático, Oceania e Índia, e de 15% no Nordeste Asiático. Nas Américas, houve retração orgânica de 2%, com crescimento na América Latina e vendas menores na América do Norte. A empresa atribuiu esse movimento, entre outros fatores, à base de comparação mais forte e à realocação temporária de gastos de clientes após consolidação de operadoras móveis.
Mercado RAN e perspectiva para o segundo trimestre
A Ericsson manteve a avaliação de que o mercado global de equipamentos RAN deve ficar praticamente estável em 2026, citando estimativa da Dell’Oro. Para o segundo trimestre, a empresa projetou margem bruta ajustada entre 49% e 51%. Também indicou que o crescimento de vendas em Networks deve ficar em linha com a sazonalidade média dos últimos três anos, enquanto Cloud Software and Services tende a avançar acima dessa média sazonal.
Na apresentação, a companhia também relacionou sua estratégia ao avanço da IA nas redes, afirmando que busca manter as melhores redes sem fio para IA e abrir espaço para novos serviços diferenciados e oportunidades de monetização. Ao mesmo tempo, sinalizou que as despesas de reestruturação devem seguir elevadas em 2026.



