Droander Martins: “Tem muito provedor chamando PoPs de data center”
Droander Martins afirma que conversão de PoPs em data centers é inviável e pode comprometer dados de clientes, gerando perdas financeiras e reputacionais.
Na entrevista do Tele.Síntese desta semana, o CEO e fundador da IPV7 Group, Droander Martins, faz um alerta direto aos provedores de internet (ISPs) que estão ingressando no mercado de data centers de forma amadora. Segundo ele, há uma prática crescente de chamar PoPs (Points of Presence) — estruturas simples para distribuição de rede — de “data centers”, o que considera tecnicamente incorreto e arriscado.
“Converter um POP em data center é impossível”, disse Martins, ressaltando que um data center requer projeto e certificações específicas, além de infraestrutura robusta para garantir redundância e disponibilidade.
Risco de perdas e impacto na reputação
Para Droander, iniciativas amadoras no setor podem provocar instabilidade e perdas irreversíveis. Ele citou como exemplo empresas que perderam dados críticos após enchentes no Rio Grande do Sul.
“Tem empresários que se preocupam onde guardam o dinheiro, mas não onde guardam o dado, que é o que gera o dinheiro”, observou.
Além do risco operacional, Martins destacou o impacto reputacional: um incidente grave pode comprometer a credibilidade do provedor, inviabilizando negócios futuros.
Mercado brasileiro ainda se estrutura
O mercado de data centers no Brasil, de acordo com o CEO da IPV7, está em crescimento e tende a atrair mais clientes nacionais diante de preocupações geopolíticas e da necessidade de manter dados no país. Contudo, ele alerta que esse cenário positivo pode ser prejudicado pela proliferação de operações sem padrões técnicos adequados.
Na visão de Martins, a consolidação do setor passará por um período de depuração, separando iniciativas sérias das amadoras. Ele reforça que, ao lidar com dados, “o jogo é diferente” em relação à venda de serviços de conectividade.
“Não é brincadeira mexer com dado do cliente. Se um backup estiver corrompido ou indisponível, a empresa pode quebrar do dia para a noite”, concluiu.
