De volta aos cabos submarinos, Padtec aposta em diplomacia tecnológica

Padtec retoma projetos submersos como integradora e se posiciona como fornecedora neutra entre blocos geopolíticos rivais, conta o CEO, Carlos Raimar

A Padtec voltou a atuar no mercado de cabos submarinos, agora com uma abordagem voltada à integração de soluções e à flexibilidade diante das exigências geopolíticas de seus clientes. A companhia havia se retirado do segmento após vender sua unidade de repetidores à norte-americana IPG, em 2018, e ficou impedida contratualmente de operar nesse mercado até o ano passado.

Com a retomada, a empresa já está em negociações de novos projetos. “Nós hoje já estamos negociando aí algumas centenas de milhões em projetos em cabo submarino, a maioria na nossa geografia, mas também já avançando em outros territórios”, afirmou Carlos Raimar Schoeninger, CEO da Padtec, ao Tele.Síntese.

A atuação da empresa tem sido como integradora de soluções ópticas, incluindo projetos fluviais e costeiros. A empresa também mira o crescente mercado dos data centers: “Nesse momento, nos posicionamos como integrador na parte de construção, e na parte de fotônica, as mesmas soluções do DWDM, o NK-2400, por exemplo, equipam um cabo submarino”, falou.

Neutralidade geopolítica como diferencial

Schoeninger destacou que o cenário geopolítico afeta diretamente a escolha de fornecedores em projetos internacionais, e que a Padtec responde a esse ambiente com maleabilidade tecnológica. “Tem cliente americano que não quer produto chinês. Tem cliente chinês que não quer americano. Então, nós somos um elemento neutro. Não vamos entrar em guerra com ninguém. Nós podemos integrar a estrutura que o cliente quiser.”

A empresa, segundo ele, tem capacidade para montar soluções com diferentes cadeias produtivas, conforme a necessidade. “Você quer com sabor americano, nós temos. Você quer com sabor chinês, nós também temos. Então, você quer com supply chain chinês, temos equipamento. Você quer com supply chain americano, nós também temos a plataforma”, disse.

Expansão internacional e racionalização interna

Além da retomada dos projetos submersos, a Padtec reformulou sua estrutura interna. “Simplificamos jurídico, voltou a ser financeiro, eu acumulava RI, voltou a ser financeiro. Cortamos custos, usamos IA. Se nós fazemos isso para o cliente, temos que fazer dentro de casa também, nos tornar o mais eficiente em tudo”, defendeu.

A empresa também aposta em crescimento na América Latina e vê demanda crescente vindo de Venezuela, países da América Central, México e Argentina agora também começa a acordar. “Então não tem exceção dos países que estão passando pela transformação digital, um pouco até inspirada pelos brasileiros”, avaliou.

Sobre a possível tarifação de exportações brasileiras para os Estados Unidos, Schoeninger comentou que o momento não requer estado de alerta. “Está ruim para nós irmos [vendermos] para lá, e não mudou nada para os americanos virem para cá. Então, está o pior cenário”, acrescenta.

Potencial em data centers

A Padtec também acompanha de perto a demanda dos data centers por soluções de conectividade robusta. “Esse é destino para nós, cada vez mais você vai perceber que nós vamos estar mais presentes no ecossistema data center, porque é a nossa vocação, cuidar da infraestrutura crítica digital”, concluiu. Confira no vídeo acima a entrevista completa com Carlos Raimar, CEO da Padtec.

Em 26 de agosto acontece em Santana do Parnaíba o evento TS Data Center, AI & Cloud Summit, organizado pelo Tele.Síntese. Clique aqui, veja a programa e saiba como participar.

 

Avatar photo

Rafael Bucco

Artigos: 5385