Brisanet deve chegar a 1,8 milhão de clientes móveis em 2028, projeta S&P
Relatório da agência aponta avanço da operação móvel com a faixa de 700 MHz, mas vê geração de caixa livre positiva apenas em 2028

A S&P Global Ratings projeta que a Brisanet encerrará 2026 com cerca de 1,1 milhão de clientes móveis, crescimento de 30% em relação a 2025, impulsionada pela expansão da operação celular e pelo uso da faixa de 700 MHz arrematada no leilão da Anatel. A estimativa consta de análise atualizada da agência, divulgada hoje, 30 de junho.
Segundo a S&P, a receita bruta do segmento móvel da Brisanet deve alcançar R$ 265 milhões em 2026, elevando sua participação na receita consolidada do grupo para 12%, ante 8% no ano passado. Para 2027, a agência projeta 1,4 milhão de clientes móveis e receita bruta de R$ 350 milhões. Em 2028, a base deve chegar a 1,8 milhão de clientes, com receita bruta de R$ 454 milhões, representando 17% da receita total.
A Brisanet venceu a disputa pela faixa de 700 MHz nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, com pagamento de outorga de R$ 8,1 milhões à União, parcelado até o vencimento da autorização, em 2044. A S&P destaca que a frequência é estratégica por permitir maior alcance do sinal e melhor penetração em ambientes internos.
Banda larga segue como principal geradora de caixa
Apesar do avanço esperado da Brisanet junto a clientes móveis, a S&P avalia que a banda larga fixa continuará sendo o principal motor de geração de caixa da Brisanet nos próximos anos. A agência projeta que a empresa chegará a 1,65 milhão de casas conectadas e 7,2 milhões de casas passadas em 2026, com receita bruta de R$ 1,7 bilhão no segmento.
Para 2027 e 2028, a expectativa é de crescimento mais moderado, entre 4% e 5% ao ano em casas conectadas. A receita bruta da banda larga fixa deve alcançar aproximadamente R$ 1,9 bilhão em 2027 e R$ 2 bilhões em 2028.
Capex menor, mas fluxo de caixa ainda pressionado
A S&P reduziu sua projeção de investimentos da Brisanet para 2026. A estimativa de capex passou de R$ 900 milhões para R$ 700 milhões, em razão do cenário de juros elevados. Para 2027 e 2028, a agência espera investimentos entre R$ 705 milhões e R$ 720 milhões, abaixo das projeções anteriores, que ficavam próximas de R$ 890 milhões.
Mesmo com a redução, a agência estima fluxo de caixa operacional livre negativo em 2026 e praticamente neutro em 2027. A geração positiva de caixa livre é esperada apenas em 2028, quando o FOCF projetado é de R$ 108 milhões.
O relatório também aponta que os compromissos do leilão exigem a implementação de tecnologia 4G ou superior em mais de 2.600 km de rodovias federais e em cerca de 280 municípios até 2030.
Rating permanece estável
A expansão da Brisanet em serviços móveis e banda larga fixa com resultados em médio prazo levou a a S&P a manter o rating de crédito de emissor da Brisanet em escala nacional em brAA-, com perspectiva estável. A agência projeta alavancagem, medida por dívida líquida ajustada sobre EBITDA, próxima de 2,5 vezes em 2026, com redução para 2,3 vezes em 2027 e 2 vezes em 2028.
A perspectiva estável reflete a avaliação de que a Brisanet deve continuar expandindo suas operações e consolidando sua posição nos mercados em que atua, com avanço gradual da telefonia móvel e rentabilização do plano de investimentos.
A agência afirma que um rebaixamento poderia ocorrer em caso de pressões de liquidez decorrentes do plano de capex, se não houver aumento correspondente da geração de caixa operacional. Entre os indicadores citados para esse cenário estão margem EBITDA abaixo de 40%, dívida líquida sobre EBITDA acima de 3 vezes, fluxo de caixa livre negativo de forma consistente e deterioração da liquidez.
Por outro lado, uma elevação do rating poderia ocorrer caso a Brisanet apresente desalavancagem contínua e passe a gerar fluxo de caixa operacional livre neutro ou positivo, mantendo margem EBITDA acima de 40%.




