Banco Mundial defende cibersegurança e uso produtivo da conectividade no Brasil

Em painel da GSMA, especialista do Banco Mundial afirmou que proteção cibernética deve acompanhar a digitalização do país; MCom defendeu consulta pública para Plano Nacional de Inclusão Digital e uso do Fust para atualizar redes.

O Banco Mundial defendeu que o Brasil passe a tratar a cibersegurança e o uso produtivo da conectividade como prioridades da próxima etapa da agenda digital. A avaliação foi feita por Luciano Charlita de Freitas, especialista sênior em Desenvolvimento Digital e Inteligência Artificial da instituição durante painel do Digital Nation Summit, realizado pela GSMA no Brasil, nesta terça, 30, em São Paulo.

Segundo Charlita, o avanço da infraestrutura digital e da digitalização dos serviços aumenta a exposição de governos, empresas e cidadãos a ataques cibernéticos. Por isso, a segurança digital precisa ser incorporada às políticas públicas e aos projetos de desenvolvimento.

“O que a gente tem feito para contribuir com essa agenda é adicionar componentes de segurança cibernética em toda a nossa agenda”, afirmou.

O especialista disse que a proteção cibernética ganhou relevância tanto do ponto de vista da segurança da sociedade e dos governos quanto do ponto de vista econômico. Segundo ele, ataques bem-sucedidos podem interromper serviços, afetar a confiança no setor e gerar perdas financeiras relevantes.

“Pode ser um impacto econômico significante, pode romper a prestação de serviços, pode criar falta de credibilidade no setor”, disse.

Conectividade produtiva

Charita também defendeu que o Brasil concentre esforços no uso produtivo da conectividade. Para ele, a expansão de redes deve ser combinada a aplicações capazes de elevar produtividade em setores como agropecuária, indústria, logística e infraestrutura.

O representante do Banco Mundial citou a conectividade rural, de estradas e portuária como áreas relevantes para a agenda de desenvolvimento. Segundo ele, ampliar o uso de soluções digitais no campo pode contribuir para ganhos de produtividade e melhorar o escoamento da produção.

“Se a gente consegue, por meios tecnológicos, com cobertura, aumentar a produtividade do campo e melhorar o escoamento dessa produção até o mercado consumidor, não tenho a menor dúvida que o Brasil vai dar um salto extraordinário de produtividade rural”, afirmou.

Charlita também mencionou a necessidade de infraestrutura complementar, como data centers, soluções de borda e processamento mais próximo dos usuários produtivos.

“Isso envolve não só cobertura, que é bem ERB, data center, mas também borda, soluções de tecnologia de borda, que permita ter processamento mais descentralizado dos dados perto desses consumidores”, disse.

Plano de inclusão digital

No mesmo painel, o Ministério das Comunicações defendeu que a inclusão digital avance para além da expansão da cobertura. Juliano Stanzani, diretor do MCom, afirmou que o país precisa tratar o letramento digital como uma prioridade nacional.

“O Brasil precisa de um pacto pelo letramento digital da sua população”, disse.

Segundo Stanzani, cerca de 35% da população possui habilidades digitais básicas ou intermediárias. Para ele, o dado mostra que a infraestrutura já disponível ainda não se converte, de forma plena, em uso produtivo da internet.

O diretor afirmou que o relatório que subsidiará o Plano Nacional de Inclusão Digital será submetido a tomada de subsídios. A intenção, segundo ele, é ampliar o debate com a sociedade antes da formulação final da política.

“Devemos colocar o relatório para um período de tomada de subsídios, para aproveitar esse período agora de defeso eleitoral e aumentar, potencializar o debate com a sociedade”, afirmou.

Fust e atualização das redes

Stanzani também defendeu o uso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações para novas prioridades da política digital. Além de apoiar a conectividade em localidades remotas, o Fust poderá contribuir para letramento digital, cobertura em áreas produtivas, rodovias e atualização tecnológica das redes.

Na avaliação do representante do MCom, a universalização da infraestrutura não encerra a necessidade de financiamento público. Ele afirmou que a rede precisará continuar evoluindo, principalmente em regiões onde o investimento privado não ocorre de forma automática.

“A necessidade de recursos para que a nossa rede, em todo o território nacional, se mantenha atualizada, ela vai permanecer”, afirmou.

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Adriano Camargo

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