Algar e pequenos provedores se aliam em franquias para crescer

Modelo de negócio pressupõe a aquisição da base de assinantes pela Algar, mas ISP franqueado continua dono da operação; atuação conjunta visa a reduzir custos e expandir redes
Talk show Tele.Síntese e Algar Fraquias
Algar Franquias oferece modelo de negócios para trabalhar em parceria com pequenos provedores (crédito: Reprodução)

Elaborar novos modelos de negócio tem sido fundamental para os provedores de serviços de internet (ISPs) que almejam crescer no cada vez mais acirrado mercado de banda larga fixa. Observando esse contexto, a Algar Telecom resolveu apostar na oferta de franquias, por meio da qual une forças com prestadores menores para escalar as operações de conectividade.

Na prática, em vez de comprar empresas menores e assumir toda a operação, a Algar se propõe, por meio do modelo de franquias, a atrair ISPs interessados em crescer atuando em rede, o que facilita o acesso a fornecedores e ao mercado de crédito. Nessa modelagem, a operadora entra com o seu know-how em vendas, treinamento, operação técnica, gestão e construção de marca. Como contrapartida, fica com parte das receitas dos franqueados.

“Existe um momento em que o ISP já não é tão pequeno e começa ter desafios para atender os clientes, faturar, ampliar portfólio, investir em rede e construir marca. Ele começa a ter, inclusive, desafios de backbone”, diz Ana Flávia Martins, diretora de negócios da Algar Franquias, em talk show promovido pelo Tele.Síntese (TS), na segunda-feira, 10 – assista ao programa na íntegra aqui.

Para formalizar a franquia, a Algar adquire a base de clientes do ISP parceiro e fica responsável pelo prestação do serviço de banda larga. No entanto, a infraestrutura e a operação local ainda são do franqueado, que continua sendo o “rosto” da empresa nas localidades em que atua.

“A ideia não é assumir a operação, mas complementar o que o ISP faz bem, porque o core do negócio continua com ele. Agregamos o que é difícil para o ISP ter quando se trata de uma operação unitária, não pertencente a uma rede de negócios. A rede traz escala e sinergia”, ressalta Ana Flávia.

O modelo foi elaborado pela operadora em 2017, com os primeiros franqueados adquiridos no ano seguinte. Atualmente, 15 provedores atuam como franquias da Algar em 93 cidades do País.

Uma dessas franquias é a Cosmonet Telecom. Com operações em Cosmópolis e Paulínia, no interior de São Paulo, o provedor conta com cerca de 6 mil assinantes de banda larga e é parceiro da Algar há dois anos.

De acordo com Bruno Balarin, diretor do ISP, um dos motivos para ter fechado o contrato de franquia com a operadora foi a necessidade de expandir a rede de fibra para seguir em condições de competir no mercado. Sem fazer parte de uma rede, os custos de ampliação da infraestrutura seriam mais volumosos.

“Antes da franquia, estávamos perdendo um pouco de base. Desde então, voltamos a crescer novamente. Estamos expandindo a nossa área de cobertura e já temos projetos para chegar a outras cidades no nosso entorno”, afirmou o empresário.

A respeito do modelo de negócio, Balarin diz que se sente “tão dono quanto antes” do seu provedor. “A impressão que tenho é que deleguei algumas funções e áreas da minha empresa com as quais não preciso mais me preocupar. Posso me focar no que traz mais resultados e consigo dispor de mais tempo e recursos nas funções comerciais e de cuidado do cliente”, avalia o franqueado.

Novos modelos de negócio

No talk show, o presidente executivo da Associação NEO, Rodrigo Schuch, destacou que, além da competição, os provedores precisam pensar em novos modelos de negócio tendo em vista os futuros efeitos da reforma tributária. Mesmo empresas que estão no Simples Nacional devem sentir os impactos da reformulação do sistema tributário nacional.

“A reforma terá aspectos positivos e outros não tão positivos para o setor de telecomunicações, em especial para as empresas que estão no Simples. Hoje, há uma diferença tributária bastante significativa. Na nova reforma, boa parte dessa diferença vai cair”, salientou Schuch.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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