Alares moderniza backbone com Nokia e prepara POPs para edge data centers

Operadora foca atualização da infraestrutura, amplia oferta de redes XGS-PON e adapta parte dos mais de 500 POPs para futuras aplicações de edge computing, conta Anderson Jacopetti, CTO Alares

A Alares está executando um programa de modernização de sua infraestrutura de rede que envolve investimentos de dezenas de milhões de reais, atualização das camadas de borda (edge), backbone (core), agregação e acesso, além da preparação de parte de seus mais de 500 pontos de presença (POPs) para aplicações de edge computing e colocation.

As informações foram apresentadas pelo CTO da companhia, Anderson Jacopetti, em entrevista ao TV.Síntese, videocast do Tele.Síntese, que vai ao ar às 19h desta segunda-feira, 13. Segundo o executivo, o projeto já está em andamento e deverá ser concluído ainda neste ano.

A primeira etapa contemplou a substituição da infraestrutura instalada nos principais data centers utilizados pela operadora e na camada responsável pela interligação entre essas instalações. “Já recebemos os equipamentos e eles foram instalados na camada de borda e core”, afirmou.

A solução adotada utiliza equipamentos da Nokia, escolhidos após processo de concorrência. Segundo o CTO, a empresa buscou utilizar tecnologias já empregadas em grandes operadoras internacionais. “O que a Nokia tem de mais avançado no mundo, seja nos Estados Unidos, Europa ou Ásia, é a mesma solução que estamos implantando na Alares”, garantiu.

Jacopetti afirmou que um dos objetivos do projeto é reduzir problemas de desempenho percebidos pelos assinantes, mesmo quando não há interrupção completa do serviço. Segundo ele, a operadora utiliza ferramentas de observabilidade capazes de detectar rapidamente degradações como aumento de latência, jitter, perda de pacotes e descartes de tráfego. “A qualidade ruim de rede é como se estivesse fora o serviço.”

O executivo explicou que a modernização envolve todas as camadas da infraestrutura da operadora, desde a conexão com provedores de conteúdo até a rede de acesso aos clientes.

Rede preparada para 10 Gbit/s

A Alares opera atualmente cerca de 32 mil quilômetros de rede óptica e atende sua base exclusivamente com FTTH. Jacopetti conta que, desde 2022, a companhia passou a adquirir plataformas OLT compatíveis simultaneamente com GPON e XGS-PON, permitindo ampliar velocidades sem necessidade de substituição completa da infraestrutura instalada.

“Os chassis já são preparados para as duas tecnologias. Em determinadas regiões basta instalar o transceiver para transformar o equipamento em XGS-PON”, explicou.

A oferta de planos de até 10 Gbit/s ocorre conforme análises de demanda e estudos conduzidos pelas áreas de produtos e marketing. “O planejamento da rede recebe informações do time de produtos para identificar regiões onde haverá comercialização ativa dessas velocidades”, afirmou.

Parceria com a Starlink amplia cobertura

Durante a entrevista, Jacopetti explicou que a parceria comercial com a Starlink complementa a cobertura da operadora em regiões onde sua infraestrutura de fibra ainda não está disponível.

Segundo ele, a integração não exigiu mudanças na arquitetura da rede, uma vez que a companhia já vinha ampliando suas interconexões em grandes data centers do país.

“A parceria acontece utilizando nossos canais existentes e as interconexões que já mantemos nos principais data centers, onde também nos conectamos à própria Starlink.” A comercialização ocorre nas áreas de atuação da Alares, presentes em sete estados.

POPs podem evoluir para edge data centers

Outro tema abordado foi o aproveitamento dos mais de 500 POPs da companhia para aplicações de edge computing. Jacopetti afirma que a empresa prepara parte dessa infraestrutura para receber aplicações de baixa latência.

Ele explicou que esses ambientes precisam oferecer requisitos semelhantes aos de um data center tradicional, incluindo segurança física, energia, refrigeração e conectividade.

A companhia também já comercializa serviços de colocation em parceria com a Equinix e avalia ampliar essa estratégia utilizando sua infraestrutura distribuída. “Estamos preparando os nossos POPs para que possam, sim, estar preparados para atender como edge data centers”, concluiu.

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Rafael Bucco

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