Adoção de tecnologia digital deve mirar a educação e não o metaverso, diz presidente da Vivo

Para Christian Gebara, os meios digitais são capazes de acelerar a inclusão educacional, de saúde e financeira. Mas é preciso construir políticas públicas com esse objetivo.
Adoção de tecnologia digital deve mirar a educação e não o metaverso, diz Christian Gebara. Crédito-Divulgação
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Christian Gebara, presidente da Telefônica Vivo,  está convencido de que a tecnologia digital é uma ferramenta poderosa para auxiliar o país a diminuir a sua desigualdade social e econômica. Nessa conversa com o Tele.Síntese, (cuja íntegra será publicada no domingo), ele aponta que, no seu entender, a realidade aumentada, o metaverso ou as outras aplicações que ainda estão por vir chegarão inexoravelmente, pois elas são a nova forma de monetização dos produtores de conteúdo de internet. Mas, para ele, o mais importante é fazer com que o mundo digital seja um aliado da inclusão social.

“Um país com tanta desigualdade como o Brasil, onde existe a exclusão de grande parte da população, a adoção das tecnologias digitais deve buscar outras coisas além do que vai ser monetizado pelas plataformas. A inclusão dessas pessoas, seja inclusão financeira seja inclusão no sistema de saúde de maior qualidade, seja em um sistema de educação maior e melhor para todo mundo, dificilmente a gente vai conseguir, contanto apenas com os meios físicos. Com os meios digitais, há uma possibilidade maior”, afirma

E, para isso, o executivo, que integra o grupo do B-20 sobre digitalização (o grupo é o fórum de diálogo global do G20 com a comunidade empresarial e tem a tarefa de recomendar iniciativas que estimulem o crescimento e o desenvolvimento econômico) entende que é preciso construir uma política pública de tecnologia digital  com quatro pilares: tornar os dispositivos mais baratos; conectar todas as escolas públicas; dar nova  formação aos professores; estimular a criação de conteúdos nacionais.

” Não é possível aceitar que uma criança não tenha um dispositivo para fazer uma aula online”, afirma ele. Ou ainda, que os equipamentos que poderiam complementar as redes de fibra óptica em localidades onde a fibra não tem como chegar, conhecidos como FWA, não possam ser adquiridos pelas empresas devido aos preços proibitivos.

Mas o executivo reconhece que avanços importantes aconteceram nos últimos anos para o setor, o que ele atribui à mudança de comportamento de consumo dos serviços durante a pandemia, quando telecom foi reconhecida como um serviço essencial.

“As empresas de telecomunicações conseguiram, durante a pandemia, dar resposta brutal para um comportamento muito diferente do que  a gente estava acostumado. Antes, o consumo era muito mais equilibrado ao longo do dia, e de repente,  todo mundo se conectou no momento zero de casa por vídeo”, relembra.

Entre os avanços, Gebara cita a aprovação da Lei das Antenas pela maioria das capitais brasileiras e a (quase) liberação dos recursos do Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações), que existe há mais de 20 anos, e nunca foi usado. ” A gente não podia colocar uma antena na periferia de São Paulo, por exemplo, pois a lei passada exigia termo de posse. O que não existe numa favela”, disse. Agora, com as novas  leis aprovadas, o processo de instalação da infraestrutura está mais ágil. No caso do Fust, ele entende que o importante é o dinheiro ser usado, seja na conexão de escolas, seja para subsidiar o consumo.

Tecnologia Digital

Para ele,  grande revolução do 5G não é conectar as pessoas que hoje não estão conectadas, mas sim promover a conexão de coisas que hoje não estão conectadas. É a internet das coisas. Salienta porém, que a Vivo continua a ver a tecnologia 4G como muito relevante.

Gebara ressalta que o caminho adotado pela empresa é o de ser muito mais fornecedora de serviços e tecnologia digital do que apenas fornecedora de conectividade. Para isso, além de estar atuando em diferentes frentes no segmento B2C, também para o segmento B2B criou três novas empresas paras as áreas de Internet das Coisas (IoT), Cibersegurança e Big Data. ” Queremos ter pessoas dedicadas a pensar em produtos para empresas de todos os tamanhos”, afirmou.

 

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Miriam Aquino

Jornalista há mais de 30 anos, é diretora da Momento Editorial e responsável pela sucursal de Brasília. Especializou-se nas áreas de telecomunicações e de Tecnologia da Informação, e tem ampla experiência no acompanhamento de políticas públicas e dos assuntos regulatórios.
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