X, de Elon Musk, se curva à Lei de Serviços Digitais europeia

Plataforma terá seis meses para implementar medidas de transparência em publicidade e ampliar acesso de pesquisadores a dados públicos

A Comissão Europeia aprovou o plano de ação apresentado pelo X para encerrar violações identificadas no âmbito da Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês). As medidas aceitas pela autoridade europeia concentram-se em duas frentes: maior transparência do repositório de anúncios da plataforma e ampliação do acesso de pesquisadores independentes a dados públicos do serviço.

Idec IA Grok X
(crédito: Freepik)

O X terá seis meses para implementar as mudanças e permanecerá sob regime de supervisão reforçada da Comissão Europeia durante esse período.

Segundo a Comissão, as medidas representam um avanço para ampliar a capacidade de pesquisadores, organizações da sociedade civil e do público em geral de monitorar os riscos sistêmicos associados à plataforma e avaliar seus impactos sobre os usuários e a sociedade europeia.

Repositório de anúncios ganhará novas funcionalidades

No âmbito das obrigações de transparência previstas na DSA, o X se comprometeu a realizar uma série de alterações em seu repositório de anúncios.

Entre as medidas aprovadas estão:

  1. inclusão de novos filtros de busca, permitindo pesquisas por conteúdo do anúncio e critérios de segmentação;
  2. apresentação dos resultados diretamente na interface do repositório, eliminando a necessidade de exportação para planilhas;
  3. redução do tempo de resposta das consultas, atualmente estimado em cerca de 200 segundos, para o menor prazo tecnicamente possível;
  4. disponibilização do conteúdo integral dos anúncios e das URLs de destino das campanhas publicitárias; e
  5. oferta de acesso ao repositório por meio de API.

As mudanças buscam adequar a plataforma aos requisitos de transparência previstos na legislação europeia para grandes plataformas digitais.

Pesquisadores terão acesso gratuito a dados públicos

Outro ponto abordado pela Comissão Europeia diz respeito ao acesso de pesquisadores independentes aos dados públicos da plataforma.

O X assumiu os seguintes compromissos:

  1. revisar seus processos internos de análise dos pedidos de acesso realizados por pesquisadores;
  2. disponibilizar gratuitamente os dados para pesquisadores elegíveis;
  3. reduzir significativamente o prazo de análise e aprovação dos pedidos;
  4. assegurar que os volumes de dados disponibilizados sejam adequados às pesquisas desenvolvidas; e
  5. alterar seus termos de uso para deixar explícito que pesquisadores autorizados não estão proibidos contratualmente de coletar dados públicos disponíveis na plataforma.

As medidas procuram facilitar estudos independentes sobre o funcionamento dos sistemas do X, incluindo a análise da disseminação de conteúdos e dos riscos sistêmicos associados à plataforma.

Auditoria externa será obrigatória

Como parte do acordo com a Comissão Europeia, o X deverá submeter a implementação das medidas a uma auditoria externa e independente.

O relatório de auditoria deverá ser entregue à Comissão Europeia no prazo de seis meses após a implementação das mudanças. A plataforma também terá de acompanhar a execução das recomendações eventualmente apresentadas pelos auditores.

Supervisão reforçada continua

Apesar de aceitar o plano de ação, a Comissão Europeia informou que o X continuará sujeito a supervisão reforçada. Segundo o órgão regulador, o Conselho Europeu de Serviços Digitais considerou que o plano apresentado, em sua forma original, não era suficiente para sanar integralmente as infrações identificadas.

Por esse motivo, a Comissão estabeleceu requisitos adicionais de implementação e informou que acompanhará de perto a execução das medidas, especialmente nos pontos considerados insuficientemente endereçados pelo Conselho.

A decisão representa mais um capítulo da aplicação da Lei de Serviços Digitais da União Europeia, que estabelece obrigações específicas para plataformas digitais de grande porte em temas como transparência, acesso a dados, mitigação de riscos sistêmicos e responsabilização das empresas que operam serviços digitais no bloco europeu.

Avatar photo

Da Redação

O Tele.Síntese nasceu em 2005. É fruto de mais de 20 anos de experiência jornalística nas áreas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e telecomunicações. Foi criada com a missão de produzir e disseminar informação sobre o papel das TICs na sociedade.

Artigos: 12258