V.tal tem prejuízo de R$ 13,85 bilhões em 2025 devido a baixa contábil
Controladora teve receita de R$ 5,18 bilhões no ano. No consolidado, R$ 7 bilhões. Reconhecimento de R$ 11,89 bilhões em perdas por não recuperabilidade de ativos foi principal impacto.

A V.tal – Rede Neutra de Telecomunicações registrou prejuízo líquido de R$ 13,85 bilhões em 2025, revertendo o lucro de R$ 864,36 milhões apurado em 2024. Em 2023, o resultado também havia sido positivo, em R$ 385,62 milhões.
A receita de venda de bens e/ou serviços somou R$ 5,19 bilhões em 2025, abaixo dos R$ 7,41 bilhões de 2024 e dos R$ 5,5 bilhões de 2023. No mesmo período, o custo de vendas alcançou R$ 5,65 bilhões, frente a R$ 5,4 bilhões no exercício anterior.
Com isso, o resultado bruto foi negativo em R$ 459,2 milhões em 2025. Em 2024, a companhia havia registrado resultado bruto positivo de R$ 2 bilhões, e em 2023, de R$ 859.187 mil. Além disso, a empresa reportou despesas gerais e administrativas de R$ 1,3 bilhão em 2025, comparado a R$ 802 milhões em 2024.
Impacto do impairment
O principal fator que pressionou o desempenho foi o reconhecimento de R$ 11,89 bilhões em “Perdas pela Não Recuperabilidade de Ativos”, classificadas como “Redução ao valor de recuperação de ativos – Impairment”. O impairment se deu em função da situação pré-falimentar da Oi, que levou a V.tal e rever contratos de longo prazo, valores a receber e ativos que eram utilizados da operadora.
Segundo a V.tal, a perda por impairment representa um “ajuste contábil sem efeito caixa”, assim como não impacta sua posição e fluxo de caixa, refletindo “a melhor estimativa da Companhia sobre a recuperabilidade dos ativos na data-base destas demonstrações financeiras”. Exceto pelo ágio, para o qual não é permitida reversão, a perda por impairment poderá ser revertida em exercícios futuros, diz a companhia, “caso haja mudanças nas premissas econômicas que suportaram o teste de recuperabilidade”.
A empresa também paralisou a retirada de cobre que era da Oi. Decisões judiciais relacionadas à falência da Oi suspenderam o pagamento de obrigações extraconcursais, o que impediu temporariamente a V.tal de adquirir cobre da companhia, afetando a operação de extração e destinação do material. A suspensão foi prorrogada até 2026, mas, segundo a V.tal, não há impacto relevante nas demonstrações financeiras até o momento.
A companhia terminou 2025 com 502 mil km de fibra terrestre implantada e 26 mil km de cabos submarinos, 22,4 milhões de homes passed (HPs) e 3,8 milhões de casas-conectadas (HCs).
| Descrição da Conta (Controladora) | 2025 (R$ mil) | 2024 (R$ mil) |
|---|---|---|
| Receita de Venda de Bens e/ou Serviços | 5.189.409 | 7.416.409 |
| Resultado Bruto | -459.202 | 2.024.107 |
| Despesas/Receitas Operacionais | -13.788.845 | -712.128 |
| Perdas pela Não Recuperabilidade de Ativos (Impairment) | -11.896.799 | 0 |
| Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro | -14.226.783 | 1.300.909 |
| Resultado Líquido / Lucro (Prejuízo) do Período | -13.855.499 | 864.359 |
Resultado consolidado
No consolidado, os números apresentam a mesma dinâmica e efeitos da baixa contábil, embora contabilize as receitas de todas as subsidiárias (Globenet em três países, Tecto e Nio). No consoligado, a receita líquida alcança R$ 7,05 bilhões em 2025, ante R$ 7,75 bilhões em 2024. O resultado bruto foi de R$ 832,5 milhões, abaixo dos R$ 2,26 bilhões do exercício anterior.
As despesas operacionais totalizaram R$ 15,08 bilhões, em função do impairment de R$ 11,9 bilhões. Após o resultado financeiro positivo de R$ 33,7 milhões e efeitos tributários, o prejuízo líquido consolidado é o mesmo, de R$ 13,85 bilhões, revertendo o lucro de R$ 864,4 milhões registrado no ano anterior.
[Atualizado com a receita consolidada em 26/02]




