Usina que põe em risco internet brasileira ganha licença ambiental

O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema) concedeu a licença ambiental. A Anatel, depois de ter se manifestado contra a instalação da usina, estuda agora a alteração de 500 metros feita pela Cagece. As operadoras mantêm o entendimento de que a usina traz riscos à internet brasileira.
 Crédito-Tele.Síntese
A construção de usina de dessanilização põe em riscos os cabos submarinos. Crédito-Tele.Síntese

A usina de dessalinização da água do mar de Fortaleza, envolvida na polêmica sobre os riscos que pode provocar aos cabos submarinos aportados na mesma praia do Futuro, ganhou, nessa quarta-feira, a licença ambiental do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema). Conforme o portal de notícias G1, o projeto da usina foi aprovado por 22 votos favoráveis e 4 abstenções. A licença prévia deve ser publicada em até 5 dias no Diário Oficial do Estado.

O próximo passo é a apresentação do projeto à Superintendência do Patrimônio da União (SPU), que deve autorizar o acesso do empreendimento ao mar da Praia do Futuro.

As operadoras de telecomunicações, no entanto, continuam a alertar a sociedade sobre os riscos que essa usina pode provocar à internet brasileira. “Nossos questionamentos não são ambienteis, são técnicos. Esse projeto beira à irresponsabilidade”, afirmou Fábio Augusto Andrade, vice-presidente de Relações Institucionais da Claro.

Chegam a Fortaleza cabos vindos dos Estados Unidos, do Caribe, da Europa e da África. Por ali passa a maior parte do tráfego internacional de dados do Brasil. Um rompimento tem potencial para afetar milhões de brasileiros de uma só vez e a licença ambiental dessa usina é mais um passo nessa direção.

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara dos Deputados aprovou ontem, 8, a solicitação de informações ao governo federal sobre os possíveis impactos da construção de uma usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE), no serviço de banda larga. Ao todo, três requerimentos pedem o posicionamento dos ministérios de Minas e Energia (MME), da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e das Comunicações (MCom).

A usina em questão é um projeto da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). O risco da implementação afetar o fornecimento de internet vem sendo alertado pelas entidades representativas dos provedores e grandes operadoras visto que a Praia do Futuro é um grande hub de cabos submarinos.

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Da Redação

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