Três players produzem 90% do tráfego de dados. Como fechar a conta?

Para o CEO da Vivo, o debate sobre a remuneração diferenciada de conteúdos deve ser retomado.
Tráfego de dados
Crédito: Freepik

Atualmente, os três maiores players do mundo digital produzem 90% do tráfego de dados das redes de telecomunicações. Esses players, batizados como empresas OTTs (empresas Over The Top,) têm os seus serviços calcados nas redes das operadoras de telecom, redes essas que são construídas sem qualquer centavo dessas empresas. Aliada a esse fenômeno, no Brasil, a rentabilidade das telcos é uma das mais baixas do mundo. Para o CEO da Telefônica Vivo, Christian Gebara,  essa contradição precisará ser enfrentada em algum momento.

” Não é uma  discussão “eles contra nós”.  A questão é: quanto mais conteúdo é gerado, mais a rede é usada”, afirma Gebara. E completa- “O debate deve ser: qual é a contribuição que deveria ser feita.  Não pode ser do tipo “ vamos tributá-los mais porque a gente é muito tributado”. O debate deve ser em como a gente divide a responsabilidade para aumentar a digitalização no Brasil entre players que são os grandes beneficiários  dessa digitalização.  São poucos players, com uma concentração muito grande, e que monetizam seus serviços”, pondera.

No entender do executivo, essa questão passa necessariamente pela neutralidade da rede. Para ele, deveria se encontrar uma alternativa que considerasse diferentes tipos de remuneração para conteúdos  responsáveis pelo grande tráfego de dados. Alguns países já estão se debruçando sobre isso e ele entende que aqui no Brasil também deve-se buscar uma solução.

” Metaverso, realidade virtual…. Tudo isso vai exigir mais consumo da rede. Na pandemia, nossa rede deu a resposta porque a gente tornou disponível capacidade extra. Vai chegar um momento em que todo mundo vai ter dispositivo 5G.  Até onde eu vou retirar recursos para conseguir dar resposta a esse consumo de tráfego? Isso também se reflete sobre as frequências, já que temos uma preocupação futura de dar respostas para as frequências que compramos”, assinala.

MVNO e Roaming

Em se tratando do segmento de telefonia móvel, por sinal, Christian Gebara lembra que a operadora está mantendo diálogo com a Anatel sobre dois temas que estão hoje na agenda. Eles se refere ao roaming e ao MVNO ( Mobile Virtual Network Operator). Assim resume a sua posição:  “roaming é para complementar a rede. Não é para criar rede.”

Quanto ao MVNO, observa que a Vivo conta hoje com 97 milhões de clientes de telefonia celular e que precisa cuidar da capacidade de sua rede para atendê-los. “Não posso prejudicar os serviços que presto para esses clientes. Então, o valor do MVNO tem que ser suficientemente rentável para que os investimentos a serem feitos possam  acomodar os meus clientes e os clientes da outra operadora que vão usar a mesma rede”.

Qual o custo para isso? Para Gebara, não pode ser abaixo do custo real.

 

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Miriam Aquino

Jornalista há mais de 30 anos, é diretora da Momento Editorial e responsável pela sucursal de Brasília. Especializou-se nas áreas de telecomunicações e de Tecnologia da Informação, e tem ampla experiência no acompanhamento de políticas públicas e dos assuntos regulatórios.
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