Streaming também sofre com layoffs e pirataria, diz presidente da Abotts

Yassue Inoki, da Abotts, afirma que a cadeia do audiovisual ligada ao OTT enfrenta redução de vagas, pressão sobre a monetização e efeitos da pirataria, ao mesmo tempo em que a associação prepara cursos e uma comunidade para apoiar profissionais do setor.

A expansão do streaming no Brasil não eliminou os problemas de emprego e renda na cadeia audiovisual. Segundo Yassue Inoki, presidente da Abotts, associação que reúne empresas ligadas ao mercado de OTT streaming, produtoras, agências de publicidade e fornecedores de tecnologia, o setor vive um momento de redução de vagas, pressão sobre a monetização e impacto crescente da pirataria.

Em entrevista ao programa TV.Síntese, Inoki afirmou que o cenário de transformação do mercado não significou, até aqui, maior estabilidade para os profissionais da cadeia audiovisual. O movimento observado hoje acompanha uma tendência mais ampla, marcada por fusões, aquisições e reestruturações. “A gente está vendo movimentos que estão levando para redução de trabalho, redução de tarefas que antes precisariam de um número muito maior de horas”, declarou.

Pressão sobre produtoras e plataformas

Na avaliação da presidente da Abotts, a dificuldade de remuneração adequada dos conteúdos também pesa sobre o mercado de trabalho. Segundo ela, a cadeia audiovisual já operou com mais recursos do que hoje, e a pressão ficou mais visível na negociação entre produtoras e plataformas.

“Quando você vai tentar negociar um conteúdo para uma determinada plataforma, não consegue mais com as mesmas bases”, disse. Na sequência, ela descreveu o efeito disso sobre a produção: “Se eu não consigo negociar com as mesmas bases e eu sou uma produtora, por exemplo, como é que eu faço? Todo um custo de produção que é altíssimo”.

A executiva vinculou esse quadro também ao avanço da distribuição ilegal. Segundo ela, quando um conteúdo é pirateado e distribuído sem pagamento, parte da remuneração esperada pela cadeia deixa de se concretizar. “Eu tenho um custo de produção super alto, eu espero distribuir aquilo e aí tem um pirata que está distribuindo de graça e ninguém assiste meu conteúdo na plataforma paga”, observou.

Associação cria frente de qualificação

Como resposta a esse cenário, a Abotts está estruturando uma vertical de formação profissional. A associação está em fase final de estruturação de parceria com a PUC Paraná para lançar cursos voltados ao ecossistema de OTT streaming. Segundo ela, a associação será curadora de parte do conteúdo, com oferta de cursos livres e de extensão.

“Já está assinando com a PUC Paraná”, afirmou. Já existem quatro cursos aprovados pela instituição e novos serão desenvolvidos. O plano é tratar de temas como monetização e dinâmica do mercado.

Comunidade para recolocação

Outra iniciativa mencionada por Inoki é a Talent Unlock Community, apelidada de TUC, criada para reunir profissionais do setor, divulgar vagas e facilitar recomendações. Segundo ela, a ideia surgiu após um dos diretores da associação observar uma sequência de demissões entre conhecidos do mercado.

“Em uma semana, ele viu uma enxurrada de amigos perdendo emprego”, relatou. A partir disso, a comunidade passou a ser incorporada à estrutura da entidade, com a proposta de conectar profissionais, empresas e especialistas em recursos humanos.

Ao resumir o momento vivido pela cadeia audiovisual, Inoki afirmou: “O fato final é que realmente a cadeia do audiovisual está sofrendo muito com a questão de falta ou redução de pessoas de vagas de trabalho”.

Confira no vídeo acima a entrevista completa com Inoki.

Avatar photo

Rafael Bucco

Artigos: 5392