SES quer estreitar relação com teles com nova constelação de satélites

Karl Horne, vice-presidente de Soluções de Nuvem da SES, indica que sistema O3b mPOWER será capaz de ampliar o portfólio de serviços das operadoras móveis
Karl Horne, vice-presidente de Soluções de Nuvem da SES, comenta sobre constelação de satélites O3b mPOWER
Karl Horne, vice-presidente de Soluções de Nuvem da SES, aponta que nova constelação de satélites MEO ampliará serviços das teles (crédito: Eduardo Vasconcelos/TeleSíntese)

Nas próximas semanas, a SES planeja lançar ao espaço mais dois satélites da constelação O3b mPOWER, que devem se juntar a outros quatro que já trafegam na órbita terrestre média (MEO). Com seis equipamentos, a empresa poderá lançar o novo serviço de banda larga, por meio do qual espera aprofundar a relação com as operadoras de internet móvel.

Karl Horne, vice-presidente de Soluções de Nuvem da SES, afirma que, por prover mais capacidade e entregar uma latência mais baixa na comparação com a primeira geração de satélites MEO, o sistema mPOWER poderá ser usado para ampliar o leque de serviços das teles.

“As operadoras aperfeiçoarão os seus portfólios, pois terão um link de satélite mais eficiente”, disse o executivo ao Tele.Síntese, em entrevista realizada na sede da companhia, em Betzdorf, em Luxemburgo. “Em síntese, vamos ajudá-las a servir melhor os seus clientes”, acrescentou.

Quando completa, a constelação O3b mPOWER terá 11 satélites que operarão a 8.000 km da superfície da Terra. A SES acredita que ampliará consideravelmente o seu mercado, oferecendo serviços para clientes de mobilidade (cruzeiros, companhias aéreas), governos e empresas, além do setor de telecomunicações.

O sistema deve alcançar 96% da população global, entregar vários Gbps e ser capaz de rotear o tráfego do cliente em movimento pelo globo.

Representação artística de um satélite O3b mPOWER sobre a América do Sul
Representação artística de um satélite O3b mPOWER sobre a América do Sul (crédito: SES/Divulgação)

“Toda essa flexibilidade e essa capacidade aumentada nos possibilitarão endereçar mais casos de uso do que nunca”, assegurou Horne. “A primeira coisa que penso é que vamos viabilizar novos mercados”, complementa, indicando tecnologias como nuvem, gêmeos digitais e redes privativas.

De acordo com o executivo, a SES está bastante segura do investimento feito nos satélites de órbita terrestre média, os quais devem se provar os mais eficientes para o segmento B2B. Desse modo, ele não vê uma concorrência direta com empresas como SpaceX e OneWeb.

“Elas estão mirando suas soluções, provavelmente, em aplicações diferentes das que queremos alcançar com a MEO. Então, provavelmente, vão se sair melhor como B2C, serviços diretos até a casa do cliente, coisas assim. E esses serviços não precisam ter alta largura de banda ou nível empresarial”, avaliou Horne.

“A nossa estratégia com MEO é o nível empresarial, alta capacidade, rede de nuvem. Portanto, são mercados diferentes. Estrategicamente, o nosso valor será garantir um alto desempenho numa perspectiva B2B”, frisou o executivo da SES.

O jornalista viajou a Luxemburgo a convite da SES

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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