Serede reintegra funcionários de RH ao realizar demissão em massa, decide Justiça
Decisão da 7ª Vara Empresarial do Rio autoriza manutenção temporária de equipe de recursos humanos para encerrar cerca de 6 mil contratos de trabalho no processo de recuperação judicial.
A Serede Serviços de Rede foi autorizada pela Justiça do Rio de Janeiro a reintegrar, de forma temporária, funcionários da área de recursos humanos com o objetivo exclusivo de operacionalizar um processo de demissão em massa. A decisão foi proferida em 12 de janeiro de 2026 pela 7ª Vara da Justiça do Rio de Janeiro, no âmbito do processo de recuperação judicial da companhia.

Segundo a decisão judicial, a administradora judicial do caso argumentou que a empresa mantinha, até a decretação da quebra, um quadro funcional de aproximadamente 6 mil empregados, cujos contratos precisam ser encerrados com observância das formalidades legais, administrativas e trabalhistas. Para isso, foi considerado indispensável manter uma equipe técnica mínima de recursos humanos, com conhecimento específico sobre sistemas internos, cadastros funcionais, folhas de pagamento, históricos contratuais e obrigações acessórias relacionadas às rescisões.
O juiz responsável destacou que a interrupção imediata desses vínculos remanescentes inviabilizaria a correta formalização das rescisões, a organização da documentação trabalhista e a mitigação de passivos adicionais à massa falida. Com base nesse entendimento, a Justiça autorizou a manutenção temporária dos contratos de trabalho dos profissionais de RH indicados pela administradora judicial, pelo prazo de 90 dias, exclusivamente para a finalidade de promover o encerramento dos contratos de trabalho dos cerca de 6 mil empregados.
A decisão também reconhece a natureza extraconcursal das remunerações devidas a esses profissionais no período posterior à decretação da falência, determinando o pagamento regular dos salários correspondentes. Caberá à administradora judicial a prática de todos os atos administrativos necessários ao cumprimento dessa finalidade, com posterior prestação de contas ao juízo.
O entendimento judicial converge com a justificativa apresentada no processo de que a equipe de recursos humanos está diretamente envolvida nas decisões contratuais e na execução das etapas formais de desligamento, o que motivou o pedido para que esses profissionais fossem incluídos e remunerados durante o período de transição.
Posição dos sindicatos
Ao Tele.Síntese, sindicalistas consideraram esta atual decisão absurda e adiantaram que, ainda esta semana, entrarão na Justiça para reverter a decisão judicial sobre a falência.
“Quando é decretada a falência, todos os contratos foram suspensos. Mas isso foi um absurdo, porque tem que operacionalizar , tem gente da Serede que opera para a Oi em serviço essencial, como Oi Soluções”, disse Luis Antônio Silva, presidente FITTLIVRE e do Sintel-RJ.
Segundo ele, a entidade vai contestar nos próximos dias a falência da Serede. “Vamos entrar ainda essa semana com uma ação pedindo a reversão da falência exatamente para cumprir essas etapas, fazer o pagamento de todo mundo, das rescisões que ninguém recebeu”, acrescentou.




