Qualcomm prevê primeiros dispositivos 6G em 2029 com IA nativa

Fabricante afirma que próxima geração das redes móveis será desenvolvida para integrar IA desde a infraestrutura até os dispositivos

Qualcomm MWC 2026 capa

A Qualcomm prevê colocar no mercado os primeiros dispositivos comerciais compatíveis com 6G em 2029 e afirma que a próxima geração das redes móveis será desenvolvida para operar inteligência artificial (IA) de forma nativa. Segundo a empresa, equipamentos pré-comerciais poderão estar disponíveis já em 2028, acompanhando a evolução da padronização conduzida pelo 3GPP.

A previsão foi apresentada por John Smee, vice-presidente sênior de Engenharia da Qualcomm, durante o MWC Shanghai. Segundo o executivo, o 6G deverá integrar processamento de IA entre data centers, infraestrutura das operadoras e dispositivos conectados, permitindo aplicações baseadas em agentes inteligentes, capazes de atuar continuamente e com conhecimento de contexto.

De acordo com Smee, essa arquitetura permitirá que dispositivos como óculos inteligentes, relógios, veículos conectados e outros equipamentos utilizem IA distribuída entre nuvem, edge computing e o próprio terminal.

Padronização abrirá caminho para primeiros equipamentos

A companhia relaciona esse cronograma ao avanço da padronização internacional conduzida pelo 3GPP. Segundo a empresa, o Release 21 deverá receber sua aprovação inicial em março de 2027 e estabelecerá as bases técnicas para o desenvolvimento da primeira geração de equipamentos compatíveis com o 6G.

A partir dessa evolução, fabricantes poderão iniciar o desenvolvimento de dispositivos antes da conclusão definitiva das especificações da tecnologia, permitindo a chegada de equipamentos pré-comerciais em 2028 e das primeiras ofertas comerciais no ano seguinte.

IA na arquitetura das redes

A principal mudança do 6G não está associada apenas ao aumento da capacidade das redes, mas à incorporação da IA na própria arquitetura de comunicações. Segundo Smee, a IA tende a substituir gradualmente o modelo atual baseado em aplicativos acionados pelo usuário, passando a atuar como interface permanente entre pessoas e serviços digitais.

A Qualcomm entende que aplicações baseadas em agentes inteligentes, realidade estendida (XR), dispositivos vestíveis e veículos conectados dependerão de uma infraestrutura capaz de distribuir processamento entre nuvem, borda da rede e dispositivos, com baixa latência e elevada capacidade de processamento.

Cronograma antecipado

Embora trabalhem com cronogramas diferentes para a chegada do 6G, Qualcomm e Ericsson convergem ao apontar a IA como um dos pilares da próxima geração das redes móveis.

No Ericsson Mobility Report, divulgado neste mês, a fabricante sueca informou que as primeiras especificações implementáveis do 6G deverão ser concluídas entre o fim de 2028 e o início de 2029, com lançamentos comerciais previstos a partir de 2030. O relatório também projeta cerca de 180 milhões de assinaturas 6G até o fim de 2031.

Ao prever dispositivos comerciais em 2029, a Qualcomm trabalha com um cronograma aproximadamente um ano mais curto para a chegada da tecnologia ao mercado, embora ambas as empresas associem o desenvolvimento do 6G à expansão das aplicações de inteligência artificial.

Estratégia defendida desde o MWC Barcelona

O posicionamento apresentado em Shanghai dá continuidade à estratégia anunciada pela Qualcomm ao longo deste ano. Durante o MWC Barcelona, em março, o presidente e CEO da companhia, Cristiano Amon, afirmou que o 6G deverá ser a primeira geração de redes móveis desenvolvida para operar inteligência artificial de forma nativa e integrar dispositivos, infraestrutura das operadoras e computação em nuvem.

A previsão apresentada agora mantém esse cronograma e reforça o posicionamento da Qualcomm entre os fabricantes que trabalham com a introdução comercial do 6G antes do fim da década, acompanhando a evolução da padronização internacional conduzida pelo 3GPP.

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Da Redação

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