Qualcomm aposta em parcerias para ir “além do chip”

Projeto "além do chip" da Qualcomm prevê contratos com integradores e desenvolvimento de soluções em nuvem, diz presidente na AL, Luiz Tonisi

A fabricante de componentes para smartphones Qualcomm está revendo sua atuação para ir “além do chip”. Gigante do mundo dos componentes para smartphones, a companhia pretende se tornar também uma gigante dos serviços B2B. Para tanto, vai acelerar parcerias na América Latina, Brasil incluído, com integradoras.

Um exemplo desse projeto é o lançamento local, feito nesta semana, da plataforma para internet das coisas Qualcomm Aware. O DRS Group, especializado em logística para a indústria farmacêutica, foi o integrador escolhido para revender o sistema e utilizá-lo em serviços de localização e monitoramento das condições de transporte de medicamentos.

“Estamos trabalhando na Qualcomm para não ser só chips, ser serviço em nuvem”, resume o presidente da empresa na região, Luiz Tonisi (na foto acima).

O motivo, contou, é: no passado havia a demanda por um produto único, o smartphone, dependente de conectividade. Agora, há uma miríade de dispositivos e serviços que pedem conexão. A Qualcomm tem condições de desenvolver e antecipar os dispositivos e serviços atrelados a eles em relação ao resto do mercado.

“Agora tem carro, FWA, WiFi, cameras, luminárias, wearables, XR, VR, IoT Massivo, sensoriamento”, elenca. XR é o nome utilizado pela empresa para produtos de realidade mista, como hologramas.

Na área de transportes, a Qualcomm e a Maxtrack anunciaram uma colaboração para criação de um laboratório dedicado ao desenvolvimento de tecnologias para transporte de passageiros. Frotas de ônibus do município de São Paulo serão as primeiras contempladas com os resultados do projeto, que visa prover soluções para o monitoramento de transportes para o Brasil e América Latina. Também entra no acordo a adoção da plataforma Aware.

Outra integradora, esta com foco em cidades inteligentes, da qual a Qualcomm se aproximou foi a Juganu. A empresa acaba de concluir a implementação de quatro luminárias inteligentes da orla de Copacabana para a prefeitura do Rio de Janeiro (RJ).

A lista de integradores cresce mês a mês, e tem ainda NTT Data, V.tal e Logicalis.

Monetização do 5G

A estratégia da Qualcomm em buscar novas receitas com serviços também tem o objetivo, diz Tonisi, de ajudar operadoras móveis a encontrar casos de uso para o 5G e, assim, rentabilizar mais rapidamente os investimentos realizados.

“Hoje no Brasil a gente só tem um serviço 5G, que é o Enhanced Mobile Broadband [banda larga móvel aperfeiçoada]. A gente está tentando conectar o carro, os wearables, as câmeras de videomonitoramento”, disse em coletiva de imprensa em São Paulo.

“O modelo atual das operadoras é baseado em ter mais usuários e que estes consumam mais capacidade. Se o mercado está maduro, já tem ampla cobertura, o tráfego não cresce”, falou. E acrescentou: “Só um tipo de serviço aumenta violentamente o tráfego na rede: o que for baseado em vídeo”, apontou.

Para Tonisi, o debate atual do fair share – se gigantes digitais como Google, Netflix e Meta devem bancar investimentos em redes pelas teles – faz sentido na internet fixa, mas não no celular. “O modelo hoje da operadora móvel é baseado em giga, em franquia. Se o cliente consome mais, paga mais. O modelo do fixo é que tem que ser revisto. Mas no móvel, entendo que esse problema acaba”, conclui.

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Rafael Bucco

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