Porto Digital visa potencial de Recife como berço da inovação

Projetos de um dos principais parques tecnológicos do Brasil foram compartilhados no INOVAtic, realizado pelo Tele.Síntese na capital de Pernambuco. Evento segue até sexta-feira, 23.

 

Parque Tecnológico Porto Digital em Recife (Foto: Divulgação)

O que era apenas uma alternativa para gerar emprego aos formandos na Universidade Federal de Pernambuco na década de 90, se tornou hoje um dos principais parques tecnológicos do Brasil, o Porto Digital. Pierre Lucena, presidente do distrito de inovação, compartilhou a trajetória e os desafios para aproveitar o potencial de Recife como berço da inovação, em palestra apresentada no INOVAtic NE 2022, evento realizado pelo Tele.Síntese nesta segunda-feira, 21, na capital pernambucana.

O Porto Digital reúne mais de 15 mil colaboradores em espaço que conta com seis incubadoras de soluções tecnológicas públicas e privadas, sete institutos de Ciência e Tecnologia –  incluindo marcas como Sansung, Fiat, Cesar e Algar  – além de mais de 300 empresas. 

Lucena explica o porquê da iniciativa ter nascido em Pernambuco e não em algum outro estado do Sudeste. “No capital humano, Recife tem uma vantagem comparativa em relação a outras cidades. Recife tem mais PHD em Ciência da Computação do que São Paulo. Hoje, a cada 100 mil habitantes, 357 moradores fazem um curso que tem programação na grade curricular”, afirma o presidente. 

Entre os cases de sucesso das aceleradoras presentes no parque tecnológico está a startup de cibersegurança Tempest, a empresa de inteligência artificial Neurotec e a produtora audiovisual Mr. Plot, responsável pelo Mundo Bita.  

Lucena destaca diversas soluções testadas dentro do Porto Digital que estão presentes em diversos aplicativos, como a integração entre equipamentos da Apple, e ferramentas de comunicação entre os sistemas do Android e do Windows.

Foco em capacitação

Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, durante INOVAtic NE 2022. (Foto: Tele.Síntese)

O Porto Digital conta com iniciativas que estimulam o interesse dos jovens de Pernambuco pela área de tecnologia. Um dos projetos, firmado em 2020, estabeleceu sistema de bolsas para alunos da rede pública com bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), possibilitando 600 novos universitários por ano. 

Apesar dos feitos, o presidente do parque tecnológico destaca que o cenário ainda está longe do ideal. “Todos esses cursos de tecnologia, [a nível nacional] somados, formaram 29 mil pessoas em 2019, frente a 70, 80 mil vagas criadas. Então, tem um buraco muito grande. Em um lugar como é o Brasil, que tem 1/3 dos jovens desempregados, é uma vergonha a gente não ter nenhum projeto nacional de formação e deixar esses jovens desempregados”, citou Lucena.

Também como forma de atrair os jovens para o setor de TICs, o Porto Digital realiza eventos com foco em criar um “imaginário tecnológico”, entre eles o REC’n’Play, previsto para novembro deste ano.

“Daqui a 20 ou 30 anos, a nossa ideia é de ter 40, 50, talvez 60 mil pessoas trabalhando com tecnologia no Recife. Se isso acontecer a cidade terá mudado completamente, porque a renda média passa a ser muito maior. É um projeto altamente inclusivo, porque de certa forma você coloca ali toda a população que teve bom desempenho do Enem com acesso [efetivo] à educação”, disse Lucena.

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Carolina Cruz

Repórter com trajetória em redações da Rede Globo e Grupo Cofina. Atualmente na cobertura dos Três Poderes, em Brasília, e da inovação, onde ela estiver.

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