Oi vai apostar em aplicações de banda larga fixa na chegada da 5G ao Brasil

FWA será usada na expansão da banda larga fixa. Operadora prepara também lançamento de rede de fibra com tecnologia XGS-PON.

Embora a realização de um leilão de frequências 5G ainda não tenha data para acontecer no país, as operadoras já se preparam para a chegada da tecnologia. Na Oi, por exemplo, a estratégia no momento é usar a quinta geração para banda larga fixa e banda larga móvel melhorada.

A banda larga móvel melhorada seria a oferta de planos móveis com acessos muito mais velozes, uma vez que a 5G atualmente registra picos de conectividade de 1 Gbps, a depender da quantidade de espectro utilizada.

Já a aplicação na banda larga fixa seria parte da estratégia da tele de expansão no segmento, para complementar a cobertura de fibra, podendo assim antecipar a oferta em localidades onde o FTTH chegará mais tarde.

Segundo apresentação feita por Mauro Fukuda, diretor de tecnologia da Oi, a FWA pode ser usada em vários cenários, como fazer esse escalonamento da expansão da rede de fibra óptica até a casa do cliente. Neste caso, funcionaria da seguinte forma: a operadora tem cobertura FTTH em um bairro. Em vez de puxar a fibra para todas as residências do bairro vizinho, puxaria a fibra para uma estação radiobase, que seria usada para irradiar o sinal 5G para os equipamentos FWA. Detectada a demanda por banda larga fixa, a tele pode traçar um plano otimizado para cobrir a área com fibra.

Dessa forma a tele consegue avançar em áreas com baixa penetração, com problemas de aquisição de espaços, ou de ofertas especiais a usuários mais sensíveis a preços. Na apresentação exibida pelo executivo, a fibra óptica própria instalada nas área de alta densidade é apontada como uma barreira à entrada de concorrentes. Por fim, há a previsão de que a FWA 5G chegará na zona rural, mas apenas no longo prazo.

Espectro

Fukuda diz, sem entrar no mérito se a Oi irá ou não entrar na disputa por espectro no próximo leilão, que o ideal é que a 5G disponha de vastas quantidades de espectro contínuo para funcionar otimizada. Especialmente em 3,5 GHz, faixa que será licitada, e cuja proposta apresentada pelo conselheiro da Anatel Vicente Aquino prevê divisão em inúmeros lotes de 10 MHz.

“O ideal é que se tenha 100 MHz de espectro para que a FWA entregue a velocidade da fibra”, afirmou. Ele não descarta, porém, o reúso de frequências disponíveis. A Oi tem espectro em 2,6 GHz, 2,1 GHz e 1,8 GHz. Está fazendo, já, refarming de parte do 2,1 GHz e 1,8 GHz para o 4,5G (LTE- Advanced).

Upgrade do FTTH

Fukuda contou ainda que a Oi vai lançar, no primeiro semestre de 2020, rede de fibra óptica com tecnologia XGS-PON. Tal tecnologia é quatro vezes mais veloz do que as redes G-PON, atualmente em uso na maioria dos acessos FTTH no país, e que tem velocidade limite de 2,5 Gbps.

Segundo ele, a companhia está realizando neste momento os testes em laboratório. Em breve, devem começar pilotos de campo, que precedem o lançamento comercial.

“A grande vantagem do XGS-PON é que é uma tecnologia de banda larga simétrica. Ou seja, a banda larga contratada de download é a mesma para o upload. Isso é fundamental para algumas aplicações corporativas”, falou ao Tele.Síntese durante a Futurecom 2019.

A operadora deve focar a ativação do XGS-GPON para incremento da capacidade da rede FTTH existente, bem como para novas áreas, conforme aumente a demanda por FTTH de maior capacidade. “Para atualizar a base que já usa FTTH há a necessidade de troca de equipamentos, inclusive na casa do cliente, já que o OTN não é o mesmo”, explicou. Os fornecedores serão Huawei e Nokia.

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Rafael Bucco

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