Oi: uso da rede da V.tal pode ser renegociado por comprador da ClientCo

CEO da Oi, Rodrigo Abreu, diz que assessores vão trazer à operadora os cenários e condições de melhor valor para a ClientCo, unidade de banda larga por fibra da operadora colocada à venda. Segundo ele, ainda não está definido se a venda será total ou parcial, mas considera pouco provável a venda de pedaços da base.

Rodrigo Abreu, CEO da Oi - Crédito: Divulgação

O CEO da Oi, Rodrigo Abreu (foto acima), disse hoje, 9, que o contrato de utilização da rede da V.tal não deve ser encarado pelo mercado como um impedimento à venda total ou parcial da ClientCo. Segundo ele, esse contrato pode ser renegociado pelo potencial comprador.

“Sabemos que parte das primeiras condições definidas com a V.tal [quando ela comprou o controle da unidade de infraestrutura de fibra da Oi] serão discutidas com potenciais compradores e a V.tal. Não vejo nenhum impedimento da relação que temos com a V.tal [para a venda]”, afirmou na conferência dos resultados do terceiro trimestre deste ano.

Uma semana atrás, o CEO da Telefônica Vivo, Christian Gebara, afirmou que é preciso entender a oferta de venda da ClientCo, pois ela viria atrelada ao uso da rede da V.tal – o que poderia ser um ponto negativo em termos de eficiência para o negócio devido à sobreposição com a rede própria ou da Fibrasil, utilizada pela companhia.  

Abreu, o presidente da Oi, afirmou que os assessores financeiros contratados pela operadora estão ouvindo o mercado a fim de definir o próximo passo. Isso inclui apontar respostas para como fica o acordo de uso de rede da V.tal, quanto da base de clientes ou da participação social da unidade pode ser vendida, e qual o valor total do ativo.

“A consulta que estamos fazendo junto ao mercado vai apontar os pontos críticos que precisaremos abordar no futuro”, resumiu ele.

Fatiamento?

O executivo considera como pouco provável, também, aparecer algum comprador querendo apenas uma parte da base de clientes da ClientCo. “Quando a gente pensa estrategicamente, não faz sentido vender pedaços de base porque este é um business que depende de escala”, observou.

Vale lembra que a Oi Móvel foi vendida em pedaços para Claro, TIM e Vivo. Cada operadora comprou uma quantidade de clientes, estações móveis e, no caso de TIM e Vivo, espectro celular da Oi.

Em resumo, Abreu contou que os assessores estão consultando o mercado e elaborando estudos que vão apontar se vale a pena para o grupo vender a ClientCo total ou parcialmente de forma a contribuir para a sustentabilidade da empresa, que está em recuperação judicial.

“Estão sendo feitos vários cenários, mas a priori, entendemos que, assim como a participação em Vtal, a operação de cliente tem valor significativo, é das maiores operações de fibra do brasil, e vai nos ajudar a cumprir obrigações de pagamento de dívida, de criação de uma estrutura que pare de pé e seja sustentável para poder virar, de fato, uma companhia normal”, concluiu.

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Rafael Bucco

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