Odata vê nuvem e IA puxando serviços de data center no Brasil

Vitor Caram, diretor de Expansão Latam da empresa, indica que eventuais projetos de expansão ainda levarão em conta as regiões em que a nuvem é mais demandada, como Rio e São Paulo; importação de equipamentos é dificuldade do setor no País
Nuvem puxará demanda por data center no Brasil, aponta Odata
Vitor Caram, diretor de Expansão Latam da Odata, aponta que setor de data center tem muito a crescer com nuvem na região (crédito: Divulgação)

Com a crescente demanda por soluções em nuvem, a Odata, provedora de serviços de data center, está otimista com os atividades na América Latina, inclusive no que diz respeito ao Brasil. A empresa observa com entusiasmo projetos de virtualização de negócios, uma vez que, conforme fornecedores de nuvem expandem a atuação na região, aumenta-se a necessidade de suporte de data centers.

“Estamos superotimistas com tudo o que está acontecendo”, afirma Vitor Caram, diretor de Expansão Latam da Odata, em entrevista ao Tele.Síntese. No início do ano, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição da empresa pela Alligned Data Centers. Mais recentemente, em agosto, a provedora iniciou as atividades do seu quarto centro de dados no País – a unidade, em São João de Meriti (RJ), é a primeira fora do estado de São Paulo.

Caram destaca que, especificamente no Brasil, a maior parte dos clientes da empresa são fornecedores de nuvem. E, dado o certo atraso da América Latina na comparação com mercados mais maduros em termos de migração para a nuvem, há um grande potencial de crescimento dos negócios nos próximos anos.

“O mercado de cloud [nuvem], o que mais move a nossa indústria, cresce consistentemente a taxas superiores a 20% ao ano. Vemos esses players mirando a América Latina e o Brasil para continuar crescendo em um mercado superdinâmico”, diz Caram. “Hoje, temos demanda por coisas que nem percebíamos antes, como IA [Inteligência Virtual] e machine learning”, acrescenta.

O diretor da Odata ainda ressalta que “esse gap [lacuna] de virtualização na América Latina como um todo é muito grande”.

Desse modo, a companhia planeja seguir atendendo provedores de nuvem, mantendo a direção dos negócios para esse segmento, o que faz com que as decisões de investimento levem em conta os picos de demanda dos clientes.

“Estamos com projetos para serem desenvolvidos aqui e, obviamente pensando no hyperscale, não necessariamente o nosso crescimento vai estar associado a uma expansão geográfica, estar pulverizado por múltiplos estados”, sinaliza. “Esperamos que os negócios mais orientados a cloud ainda sejam expressivos no eixo Rio-São Paulo”, complementa.

Obstáculos

Na América Latina, além do Brasil, a Odata conta com data centers no Chile, no México e na Colômbia.

Em relação a esses mercados, para a implantação de grandes centros de dados, Caram afirma que o Brasil tem como vantagens o tamanho da economia, a disponibilidade de energia elétrica de matriz limpa (as usinas hidrelétricas são as maiores responsáveis pela energia gerada no território nacional) e preços mais em conta pela eletricidade.

No entanto, o País também tem seus desafios, sendo o principal deles o sistema tributário, tanto pela complexidade como pela carga.

“Não é nenhuma novidade, mas, de fato, é uma desvantagem. Todos os grandes que movem a indústria são empresas internacionais discutindo aplicações de serviços de forma global, e um sistema tributário supercomplexo como o nosso é uma barreira de entrada”, afirma.

Além disso, o diretor da Odata aponta a dificuldade em importar equipamentos para o Brasil. Segundo ele, muitas máquinas utilizadas por data centers não são produzidas no mercado brasileiro, mas, ainda assim, sofrem a incidência de alíquotas elevadas do Imposto de Importação (II) para trazê-las ao País.

“Não é uma questão de proteção à indústria local, mas uma barreira ao investimento. Se existe uma demanda entre Brasil e algum vizinho, pode acabar indo para o vizinho, por ter um ambiente de impostos mais favorável”, indica o executivo.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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