Num cenário de incertezas, o único caminho para as telcos é a transformação
Especialistas apontam consolidação, atraso do 5G e necessidade de transformar dados e ecossistemas em receitas para garantir a sustentabilidade das operadoras

* As análises sobre o futuro das telcos marcaram o encerramento do evento Telco Transformation Latam, realizado nos dias 27 e 28 de agosto, no Rio de Janeiro. O painel contou com a moderação de Flávio Lang, cofundador do Emerging Group e publisher do Tele.Síntese, e reuniu especialistas para discutir oportunidades impulsionadas pela evolução tecnológica, tendências globais e novos modelos de negócio digitais.
Ari Lopes, líder da área para provedores e operadoras das Américas da Omdia, destacou o processo de consolidação em curso na América Latina e na Europa. Ele também retomou o tema do 5G, lembrando que o desenvolvimento na região ainda é desigual.
Enquanto o Brasil conta com 46 mil sites, a Colômbia possui apenas 1.500, dos quais 90% pertencem à Claro, e a Argentina, que realizou seu leilão em 2023, tem menos de mil sites.
Dados como ativo central
João Bruder, analista principal para Américas da GlobalData, ressaltou que, mesmo em meio às incertezas, as operadoras continuam despertando interesse de diferentes players. “As operadoras têm vocação para a captura de dados, o novo petróleo. Mas uma coisa é coletar os dados, outra é conseguir obter receitas com eles. As telcos não conseguem captar receitas futuras”, afirmou.
Ele alertou ainda para o risco de excesso de redes no Brasil, com milhares de provedores competindo em um mesmo mercado. “A situação do Brasil, com excesso de fibra e entre 12 mil e 15 mil provedores, vai resultar em consolidação por ganho de escala”, avaliou.
Ignacio Perrone, diretor da Frost & Sullivan, ressaltou que as operadoras são parte central da sociedade. “É preciso proteger as operadoras, que é por onde passa o novo óleo”, defendeu.
Segundo ele, o futuro da infraestrutura caminha para a latência zero por meio de data centers edge, embora restrita a grandes centros urbanos. Perrone também apontou que a consolidação pode gerar impactos diretos no consumidor, que enfrentará diferentes sistemas de cobrança e suporte ao migrar de um provedor para outro.
Perspectivas para 2036
No encerramento, Flávio Lang instou os debatedores a projetarem o futuro do setor em até dez anos. Lopes reiterou que as operadoras precisam aprender com empresas de internet e se posicionar como plataformas.
Já Perrone advertiu que, se as aplicações não forem capazes de gerar receitas para as telcos, o setor pode não existir em 2036. Henrique Rodrigues, da Fabric, acrescentou que o papel das operadoras será promover a conexão de ecossistemas.
*Reportagem especial Carmen Nery, do Rio de Janeiro


