NEC quer equiparar desempenho da OpenRAN a sistemas proprietários

Futuro presidente da empresa japonesa diz que desempenho da OpenRAN ainda não equivale ao das redes proprietárias, mas que diversificação é importante para restabelecer a competição entre fornecedores no mercado de telecom.

A japonesa NEC prevê que as redes 5G vão usar o OpenRAN em todo o mundo em poucos anos, mas há desafios que esse padrão precisa transpor com urgência para garantir sua adoção em massa.

Conforme explicou hoje, 4, Takayuki Morita, CFO da NEC, os requisitos de interoperabilidade estão em processo de definição. Como o ecossistema aberto é amplo, e os quesitos estão em definição, as velocidades dos sistemas OpnRAN não são ainda equivalentes às dos sistemas proprietários.

“Comparado com o mundo proprietário, o throughput cai um pouco, então é algo que temos que melhorar. Resolver isso é importante para fazer a tecnologia amplamente disponível”, alertou o executivo nesta sexta-feira, durante o evento anual NEC Visionary Week 2020.

Morita prevê que esse desafio da velocidade será resolvido em breve e não vai impedir as teles que experimentarem. “Nos próximos dois anos vai haver muitos testes O-RAN, testbeds, TOCs pelas operadoras. Vamos demonstrar que a interoperabilidade funciona e que pode conectar também redes legadas”, prevê.

Morita será o presidente da NEC a partir de abril de 2021, no lugar de Takashi Niino. Assumirá a NEC com o desafio de recuperar market share no setor de telecomunicações, no qual houve concentração das vendas de equipamentos de rede por três empresas: Huawei, Ericsson e Nokia.

“Os operadoras veem cada vez menos opções. Não há competição suficiente atualmente. A saída é um mundo que não seja mais ‘o vencedor leva tudo’”, defendeu. Daí a aposta na OpenRAN. O modelo prevê a desagregação das interfaces das estações radiobase, permitindo que diferentes fornecedores consigam conversar com sistemas proprietários.

O executivo defendeu ainda a política de Rede Limpa, patrocinada pelos Estados Unidos, pela qual as redes de telecom devem ser feitas sem elementos de origem chinesa. Segundo ele, essa proposta aumenta a segurança das comunicações. E a própria NEC quer ganhar espaço com a oferta de soluções de segurança para o tráfego de dados.

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Rafael Bucco

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