Metaverso já é realidade em indústrias críticas, indica pesquisa

Levantamento da Nokia e da EY aponta que 58% das fábricas têm um ou mais casos de uso da tecnologia; para empresários, benefícios práticos superam as expectativas de ganhos
Metaverso já tem sido usado em diversas indústria, mostra estudo de Nokia e EY
Indústrias estão observando os benefícios do metaverso, aponta estudo (crédito: Freepik)

Enquanto o metaverso ainda é só uma promessa para os usuários tradicionais de internet, a tecnologia avança por empresas e indústrias de diversos segmentos. Pesquisa realizada pela Nokia e pela Ernest & Young (EY) indica que as versões industrial e empresarial do metaverso já foram implantadas ou ao menos testadas por 58% das empresas.

O percentual se refere a plantas dos setores automotivo, manufatureiro e de energia, além de negócios nas áreas de transporte, logística e utilities. Além disso, o levantamento aponta que, entre as empresas que ainda não testaram o metaverso ou qualquer aplicação relacionado, 94% pretendem fazê-lo nos próximos dois anos.

O estudo, intitulado “O metaverso para a índustria”, também mostra que os benefícios da adoção da tecnologia superam as expectativas dos líderes empresariais. A redução esperada de capex, por exemplo, era de 24%, mas a observada na prática chega a 39%.

Os ganhos em termos de sustentabilidade (10% maior do que o esperado), aperfeiçoamento da segurança (9%), redução de opex (6%) e tempo de lançamento de uma solução ao mercado (5%) também suplantam as expectativas delineadas antes da adoção da tecnologia.

“A implementação do metaverso traz benefícios reais para as empresas e se paga muito mais rápido do que se imaginava”, disse Wilson Cardoso, diretor de Tecnologia para a América Latina da Nokia, em coletiva de imprensa, nesta terça-feira, 19, para divulgação da pesquisa.

Tecnologias habilitadoras

O relatório também mostra que computação em nuvem, Inteligência Artificial (IA) – incluindo Machine Learning (ML) – e redes privativas 5G são as principais tecnologias habilitadores do metaverso nos ambientes corporativos e industriais.

Redes de fibra óptica e sensores inteligentes aparecem na sequência, à frente de equipamentos de realidade aumentada (AR), virtual (VR) e estendida (XR).

“A rede privativa, neste caso, é melhor do que a pública pelas características do 5G das operadoras. No Brasil e em grande parte do mundo, a quinta geração foi implementada para ter 80% de capacidade de downlink e 20% de uplink. Com a rede privativa, é possível fazer o contrário, tendo muito mais tráfego indo para o servidor”, explicou Cardoso.

De acordo com o estudo, para 44% dos líderes empresarias, o metaverso será o próximo passo da digitalização. Outros 13% acreditam que a tecnologia será uma evolução específica para redes sociais e jogos eletrônicos.

A pesquisa ouviu 860 empresários nos meses de março e abril deste ano. O levantamento foi realizado em seis países: Alemanha, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Reino Unido e Brasil.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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