Expansão de infovias depende mais de governança do que de tecnologia
RNP, IRM, Forte, Ciena, Q13 e WDC apontam desafios de manutenção, integração institucional, IA, edge computing e redes privativas
A expansão de infovias públicas e redes voltadas a cidades inteligentes depende menos da construção inicial da infraestrutura e mais da governança, da manutenção e da integração entre entes públicos e privados, afirmaram painelistas nesta quinta-feira, 28, durante debate sobre conectividade no Smart Cities Mundi, evento do Tele.Síntese, no Rio de Janeiro.

José Luis Ribeiro, diretor de Administração e Finanças da RNP, afirmou que a experiência da entidade mostra a importância de modelos consorciados. Segundo ele, o poder público tem maior capacidade para realizar o investimento inicial, mas a sustentação operacional exige parceiros com capacidade de manter a infraestrutura.
“O governo federal e a maioria dos órgãos públicos têm uma capacidade muito grande de investir. Eu não estou falando de capex, lançar fibra, mas depois conservar é difícil. O OPEX no setor público não funciona”, disse.
Para ele, o modelo funciona quando o investimento inicial é feito pelo agente público e a operação fica garantida por parceiro privado, com benefício para a sociedade.
Escala metropolitana
Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do Instituto Rio Metrópole (IRM), afirmou que a infraestrutura digital deve ser pensada em escala metropolitana, não apenas municipal. Segundo ele, o IRM atua como agência executiva da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e tem competência legal para integrar políticas públicas de interesse comum.
Ele afirmou que uma das funções públicas previstas em lei é prover conectividade. Também destacou que a governança do instituto envolve os 22 municípios da região, o governo estadual e representantes da sociedade civil.
“Isso acaba sendo um agente facilitador”, afirmou, ao explicar que decisões aprovadas no conselho deliberativo criam engajamento obrigatório dos municípios.
Redes privadas e segurança
Sérgio Simas, CEO e Founder da Forte Telecom e Forte Technology, relatou desafios na implantação de redes privadas para o Judiciário, incluindo fóruns, presídios e outros órgãos. Ele afirmou que, nesses projetos, não é possível recorrer a soluções de tunelamento ou virtualização quando a exigência é de rede fisicamente dedicada.
“A fibra tem que ser apagada, a rádio tem que ser licenciada”, disse.
Ele citou dificuldades específicas do Rio de Janeiro, como áreas de risco e janelas reduzidas para reparo antes do anoitecer. Também mencionou projetos em Rondônia, com enlaces de rádio de longa distância.
IA muda perfil do tráfego
Décio, da Ciena, diretor de Engenharia de Vendas da Ciena, afirmou que a inteligência artificial altera o padrão de tráfego das redes. Segundo ele, aplicações de vídeo, monitoramento, inferência e processamento distribuído tornam o tráfego menos estatístico, mais determinístico e mais simétrico.
“As redes, principalmente as redes metropolitanas, sofrem de fato um impacto bastante grande nessa questão”, afirmou.
Ele disse que as tecnologias ópticas evoluíram para capacidades de 400 Gbps e 800 Gbps em plugáveis ópticos, além de transmissões de longa distância de até 1,6 Tbps por comprimento de onda.
Edge computing e redes privativas
Enrico Roman, diretor de Tecnologia na Q13 Tecnologia, afirmou que o governo já tem maturidade para implementar redes, mas o maior desafio está em operar e manter a infraestrutura. Segundo ele, IA e edge computing passaram a ser demandas concretas, especialmente para reduzir latência em aplicações como videomonitoramento.
Raphael Buonafina de Macedo, gerente de Desenvolvimento de Negócios para Redes Privativas – WDC Networks, defendeu que redes móveis privativas sejam avaliadas não apenas como conectividade, mas como plataforma de monitoramento em tempo real da operação urbana.
“A conectividade em si não deve ser considerada somente um commodity”, afirmou.
Ele disse que aplicações de CFTV, leitura de placas, monitoramento de pessoas, mobilidade urbana, edge computing e IA podem operar com maior segurança em redes privativas, especialmente quando há controle municipal sobre os dados.




