Limitação de interconexão com redes públicas gera debate

Possibilidade de sobreposição entre redes públicas e privativas gerou debate em painel do congresso IoT e as Redes Privadas, promovido pelo Tele.Síntese. Tema está em análise pela Anatel.

Em meio à discussão sobre as possibilidades de aprimorar os serviços de redes privativas no Brasil, a limitação da interconexão com redes públicas gera debate. O tema, que está em consulta pública aberta pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), movimentou as reflexões sobre o setor durante painel do congresso IoT e as Redes Privativas, realizado pelo Tele.Síntese nesta sexta-feira, 26.

Durante o encontro, o superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, Vinícius Caram, explicou que a regulamentação exige contratar o serviço de um operadora para fazer interconexões e a questão atual em consulta é “se a rede SLP pode fazer uma interconexão direta sem ter que passar por uma prestadora”.

No Relatório de Análise de Impacto Regulatório (AIR) da Consulta Pública 41, que inclui o tema, a área técnica da Anatel cita que a limitação da interconexão de redes privadas com redes públicas tem como finalidade “evitar descaracterização dos serviços de interesse restrito”.

O vice-diretor do Grupo Setorial de Telecomunicações da ABINEE [Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica], Francisco Soares, criticou o cenário atual “está muito engessado”, disse.

Para Soares, o Brasil deve seguir modelos que já estão sendo implementados fora do país, como o caso do CPRS [Citizens Broadband Radio Service (CBRS)] nos Estados Unidos. “Na mesma faixa há dois tipos de licença. Uma licença prioritária, que eles chamam de PAL [Priority Access Licenses] e tem uma outra que é uma licença compartilhada [General Authorized Access (GAA)]. Essas redes têm conectividade e ligação com a rede pública. E aqui não está muito claro como vai funcionar”, criticou.

Francisco Soares, vice-diretor do Grupo Setorial de Telecomunicações da ABINEE (Foto: Tele.Síntese)

Outro participante do painel, Diego Aguiar, diretor de Operações da Telefónica Tech, explicou que na prestação de serviço há uma interoperabilidade entre as redes.

“Imagine que você tenha um determinado caminhão que tem que ser monitorado dentro da fábrica e quando ele sai você tem que fazer o acompanhamento daquela peça até um porto ou aeroporto. Ou seja, exige essa interoperabilidade entre a rede pública e privativa para que você tenha o ativo monitorado 100% do tempo”, exemplificou.

Diego Aguiar, diretor de Operações da Telefónica Tech (Foto: Tele.Síntese)

Aguiar ressaltou que atualmente a Vivo oferece o serviço que faz interconexão, mas “tomando as ressalvas hoje permitidas na regulamentação”.

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Carolina Cruz

Repórter com trajetória em redações da Rede Globo e Grupo Cofina. Atualmente na cobertura dos Três Poderes, em Brasília, e da inovação, onde ela estiver.

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