Inteligência Artificial invade o setor de óleo e gás

A IA está em uso em distintas áreas, seja na prospecção, produção ou distribuição.
Hygo Souza - Gerente Executivo de Tecnologia da Informação | Foto: Dyego Tessinari
Hygo Souza – Gerente Executivo de Tecnologia da Informação | Foto: Dyego Tessinari

O setor de óleo e gás aderiu aos benefícios da inteligência artificial, que avança em diferentes áreas, desde à prospecção,  produção do upstream, à distribuição no dowstream. Um exemplo é a Ocyan que, por meio de uma frota de cinco unidades de perfuração, e dois FPSOs (floating, production, storage and offloading), provê soluções para a indústria de óleo e gás, desenvolve projetos de fabricação e instalação de equipamentos submarinos, além de prestar serviços de manutenção offshore.

Hygo Santos, gerente-executivo de Tecnologia da Informação da Ocyan, diz que a empresa tem uma operação desafiadora porque atua em todas as áreas de óleo e gás, que já é um negócio complexo.

“Operamos tanto com produção de petróleo, perfuração, construção e manutenção submarina, incluindo descomissionamento de poços de petróleo na Bacia de Campos. Temos nove embarcações e um contingente de 4 mil profissionais. Só não atuamos na distribuição. Usamos recursos de hiperautomação (conceito guarda-chuva que abarca várias áreas de IA), desde o backoffice até a operação na ponta”, diz Santos.

Ele destaca que a empresa trabalha com uma plataforma habilitadora a fim de permitir que as próprias áreas usuárias criem seus processos automatizados, sem depender da TI. “Já temos 37 processos automatizados. Só em 2022 tivemos um resultado financeiro real de R$ 1 milhão, a título de saving (economia)”, comemora o gerente executivo da Ocyan.

Gestão da demanda

Na área de gestão de demanda, há o uso de RPA para o cadastramento com sua classificação contábil e fiscal. Já foram tratados mais de 20 mil itens com gestão de demanda e uso de IA, inclusive dos suprimentos em alto mar, o que exige muito.

“Trabalhamos com estoques de segurança, mas as embarcações têm limitação de espaço físico. É preciso achar um ponto ótimo entre a necessidade de suprimentos e o espaço. Para isso, temos o perfil de consumo de cada item. Contamos com profissionais nas áreas financeiras e de engenharia que formamos para ter esse domínio das RPAs”, diz Santos.

A empresa também encerrou com a Schlumberger um piloto de contrato inteligente para medição de serviços com uso de blockchain. A partir do momento em que o serviço é executado no campo, sensores e algoritmos de blockchain fazem a medição.

“Passamos a ter um processo auditado de ponta a ponta. É uma necessidade da indústria melhorar sua eficiência. A Ocyan trabalha em duas frentes nas embarcações: manutenção preditiva; e melhoria da comunicação para, no futuro, fazer operação remota. Não vejo que a inteligência artificial vá substituir o trabalho humano. A Ocyan vem trabalhando para trazer as pessoas para o protagonismo, empoderando-as”, sinaliza Santos.

ExxonMobile e seu cachorro rôbo. Crédito-Divulgação
O cachorro-rôbo é usado no Brasil pela ExxonMobil. Crédito:Divulgação

A ExxonMobil, por sua vez, utiliza um cachorro-robô que detecta vazamentos de óleo e gás nas operações offshore. Batizado de SPOT, o cachorro-robô, guiado por um operador por meio de  controle remoto, atua em áreas internas e externas de forma autônoma, além de suportar ambientes adversos e até entrar em espaços confinados nas atividades do dia a dia, o que torna as operações offshore mais seguras e eficiente.

A nova tecnologia também coleta dados e gera relatórios de medição e inspeção digital, como leituras de medidores analógicos; verificações de óleo lubrificante; detecção de derramamento de líquido e de vibrações anormais em todas as fases exploratórias da companhia.

A empresa também anunciou apoio à Universidade Federal do Paraná para promover aplicações de inteligência artificial para análise de dados.  O projeto visa a desenvolver uma solução, baseada em IA e processamento de linguagem natural, para ampliar as negociações com os clientes nas áreas de vendas, marketing e operações de distribuição.

O objetivo é que o Assistente Virtual oriente as partes interessadas, das áreas de combustíveis, lubrificantes e produtos químicos, na tomada de decisão em relação aos aspectos tecnológicos e econômicos dos produtos das linhas de negócios.

O investimento será em Curitiba, mas, segundo a empresa, poderá ter aplicação global, dependendo dos resultados. O programa deverá consumir cerca de  R$ 1,3 milhão em três anos, sob a condução da área de Pesquisa & Desenvolvimento da companhia. Por meio dessa pesquisa, a empresa acredita que será possível aumentar a confiança na obtenção de informações comerciais de maneira ágil, precisa e relevante.

 

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Da Redação

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