GSMA propõe rever destino da faixa de 600 MHz no Brasil

Entidade defende remanejamento da TV digital terrestre e cita ganhos de cobertura e eficiência. Anatel lembra que a faixa foi reservada à TV 3.0 por decreto recente.

A faixa de 600 MHz, atualmente ocupada por canais da TV digital terrestre, foi incluída pela GSMA na agenda de médio e longo prazo para serviços móveis no Brasil. Durante o Painel Telebrasil 2025, em Brasília*, o diretor de espectro da entidade, Luiz Felippe Zoghbi, apresentou estudo técnico que propõe o remanejamento dos serviços de radiodifusão e a destinação da faixa para ampliar a cobertura de 4G e 5G no país.

Luiz Felippe Zoghbi, diretor de espectro da GSMA
Luiz Felippe Zoghbi, diretor de espectro da GSMA no Painel Telebrasil 2025 (Divulgação)

“Os 600 MHz já estão em uso nos Estados Unidos e no Canadá, inclusive para 5G, e têm um dos ecossistemas de terminais que mais cresce no mundo. A faixa pode representar um ganho de 70 MHz em baixa frequência, com impacto direto na cobertura indoor e em áreas remotas”, afirmou Zoghbi.

86 cidades exigiriam soluções específicas

Segundo a GSMA, 86 cidades brasileiras concentram uso mais intenso da faixa por emissoras de TV, o que exigiria soluções como multiprogramação, remanejamento ou desligamento programado. Em outras localidades, o reposicionamento dos canais seria tecnicamente mais simples.

O estudo propõe que o Brasil inicie desde já um planejamento coordenado entre governo, agência reguladora e setor privado. “É um trabalho de médio a longo prazo, mas que precisa começar agora”, defendeu Zoghbi.

Anatel: faixa comprometida

A superintendente da Anatel, Cristiana Camarate, lembrou que a faixa de 600 MHz foi designada como reserva técnica para a TV 3.0 pelo Decreto nº 12.574/2025, publicado na semana anterior ao painel. “Vamos ter calma e aguardar os próximos capítulos”, disse, reconhecendo que há pressão do setor de telecomunicações pela liberação da faixa.

Setor reconhece potencial, mas pede cautela

O diretor da Vivo, Anderson Azevedo, avaliou que a faixa é promissora, mas lembrou que a capacidade financeira do setor está comprometida com a implementação do 5G até 2029. Para a TIM, Marcelo Mejias reforçou que o debate sobre a reutilização de faixas deve considerar a sustentabilidade econômica dos investimentos e o estágio de desenvolvimento dos ecossistemas.

*O jornalista viajou a convite da Conexis Brasil Digital

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Rafael Bucco

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