Gargalo de data centers está no acesso à rede elétrica, aponta advogada
Advogada do setor elétrico afirma que energia renovável para data centers em ZPE reflete realidade, mas gargalo está no acesso à rede elétrica

A exigência de uso exclusivo de energia renovável por empresas instaladas em Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), incluída na Medida Provisória nº 1.307/2025, acompanha uma tendência já consolidada entre investidores do setor de data centers, mas a principal barreira prática à expansão desses empreendimentos no Brasil está no acesso à rede elétrica. A avaliação é da advogada do setor energético, Ana Carolina Calil, sócia da área de energia do Cescon Barrieu.
“Os data centers têm buscado fonte renovável porque é o diferencial. Eles vendem em cima da sustentabilidade e, de fato, o data center é realmente extremamente eletrointensivo”, lembrou. “O que a gente tem visto, até nos projetos em que a gente trabalha, é os data centers buscando dois tipos de estrutura de energia: autoprodução […] e a parte da compra de energias renováveis, sustentáveis.”
Ela observa que a inserção dos data centers nas ZPEs faz sentido pela natureza do negócio, desde que atendidos os critérios legais e regulatórios. Contudo, o problema mais recorrente entre os clientes, segundo a advogada, não é a disponibilidade de energia limpa: “Como existe uma sobreoferta, , o problema maior dos clientes tem sido a conexão à rede [de energia]”, disse.
A dificuldade se deve à lentidão do processo de expansão da malha elétrica. “Para você ter autorização formal para se conectar à rede pode levar um ano a quatro anos, e aí você tem o prazo de construção da linha específica, que pode demorar mais quatro anos”, observou.
Outro problema que tem atrapalhado o desenvolvimento de projetos de data centers no Brasil diz respeito à falta de dados consolidados sobre energia de fato disponível vinda de fontes renováveis. Diante da ausência dessa informação centralizada, as empresas têm buscado identificar áreas já com capacidade instalada.
Para mitigar esse problema, o governo iniciou um mapeamento do interesse do setor. “Eles lançaram uma espécie de formulário para capturar interesse de mercado de data center, para entender onde os data centers querem se localizar e, eventualmente, considerar isso no planejamento setorial energético”, observou.
O trabalho está a cargo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que já teria recebido manifestações somando 13 gigawatts de interesse em novos empreendimentos. Segundo a EPE, 88,2% da matriz energética brasileira vinha de fontes renováveis em 2024. A principal fonte, no caso, é a hidráulica – ou seja, hidrelétricas.
