Endividamento das famílias é o maior dos últimos 12 anos

O número de famílias brasileiras com contas e dívidas atrasadas chegou ao maior pico registrado desde o ano de 2010.

Inadimplência bate novo recorde em junho e atinge 66,8 milhões - Crédito: Freepik

Crédito: FreepikO Brasil atingiu nova marca negativa no mercado econômico: o endividamento das famílias é o maior dos últimos 12 anos. Este é apenas um dos resultados do mais recente levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado na última sexta-feira, 14.

O número de famílias brasileiras com contas e dívidas atrasadas chegou ao maior pico registrado desde o ano de 2010. O endividamento das famílias brasileiras chegou a 79% em agosto, maior índice registrado desde 2010, quando o levantamento passou a ser feito no Brasil, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Pode-se observar um crescimento de 1 ponto percentual (p.p.), em relação a julho de 2022 e 6,1 p.p se comparado com agosto de 2021. O endividamento das famílias já havia batido recorde no final de 2021.

O número de pessoas que não podem pagar contas e/ou dívidas vencidas também cresceu (+0,1 p.p.) e atingiu 10,8% das famílias. Segundo o mais recente Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas no Brasil, realizado pelo Serasa Experian em julho de 2022, cerca de 67,6 milhões de pessoas estão com o nome negativado no país.

Outro dado que chama a atenção é o número de pessoas que têm mais da metade da renda comprometida com dívidas. Ainda segundo a pesquisa, 22% dos brasileiros têm mais de 50% dos rendimentos comprometidos, ou seja, 4 em cada 10 famílias não conseguem pagar suas contas em dia.

O percentual médio no Brasil, atualmente, é de 30,2% da renda comprometida por dívidas. O percentual de comprometimento da renda se manteve acima de 30% desde o início do confinamento, em março de 2020.

Top 5

O cartão de crédito é o maior responsável pelo endividamento dos brasileiros. Entre os endividados, 85,3% possuem dívidas no cartão de crédito. Embora o número de famílias com esse tipo de dívida tenha diminuído quatro vezes no ano, e o valor registrado tenha se mantido entre os meses de julho e agosto deste ano (85,3%); se for levado em consideração o período avaliado, desde maio de 2010 o cartão de crédito
é responsável por mais de 70% das dívidas contraídas pelos brasileiros. O crescimento deste tipo de dívida ​​é de 13,4 p.p. nos 12 anos analisados.

No top 5 das principais dívidas estão, com dados de agosto de 2022:
– Cartão de crédito (85,3%)
– Carnês de loja (19,4%)
– Financiamento de carro (10,2%)
– Crédito pessoal (9,5%)
– Financiamento de casa (7,5%)

Na análise do CNC, apesar de colaborar diretamente para os números alarmantes, a crise causada pela pandemia e pela guerra não é a única responsável pelo endividamento do trabalhador. Os números poderiam ser mais positivos, em muitos casos, com uma política de educação financeira mais eficiente.

“No Brasil, é comum o trabalhador assalariado não ter informações sobre conceitos básicos como juros, empréstimos consignados, taxa Selic,
entre outros. Com a falta de conhecimento, o trabalhador acaba optando por condições não vantajosas e compromete o salário mensal no momento de contratar empréstimos pessoais, pagando juros mais altos do que os que podem ser concedidos na modalidade de empréstimo para assalariado, nas fintechs”, diz a entidade, no relatório.

Ainda de acordo com a CNC, a redução de dívidas deve ser prioridade. “Especialistas alertam que a redução de dívidas e o consumo essencial
devem ser as prioridades para o brasileiro que tem acesso a uma renda extra, como por exemplo, o saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pago pelo Governo Federal em 2022 e também o 13º salário. A quitação das dívidas se torna ainda mais necessária no cenário de altos juros, com a Selic a 13,75%. Desta forma, as parcelas mensais pagas pelo trabalhador assalariado costumam comprometer uma grande parte da renda, sobretudo as pendências conhecidas por contar com taxas de juros mais altas como, por exemplo, o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.”

 

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Redação DMI

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