Custos de componentes dão trégua, mas seguem elevados, diz Abinee
Cai o percentual de empresas que relatam aumento nos custos de componentes e matérias-primas
A pressão sobre os custos de componentes e matérias-primas enfrentada pela indústria eletroeletrônica recuou pela primeira vez após cinco meses consecutivos de alta. Em maio, 57% das empresas relataram aumento desses custos, ante 72% na sondagem anterior, uma redução de 15 pontos percentuais, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira, 25, pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
Apesar do recuo, a entidade avalia que o indicador permanece elevado em relação aos padrões observados nos últimos anos, indicando que os custos de insumos continuam entre os principais desafios enfrentados pelo setor em 2026.
Segundo a pesquisa, os aumentos de custos continuam concentrados em memórias, plásticos, polímeros, PVC, resinas, derivados de petróleo, cobre e outros insumos. A Abinee afirma que a demanda mundial por memórias, impulsionada por aplicações de inteligência artificial, segue elevando os preços desses componentes no mercado internacional, com reflexos também sobre os custos no Brasil.
Repasses aos preços continuam
Mesmo com o alívio observado em maio, a maioria das empresas já repassou parte desses aumentos aos clientes. O levantamento mostra que 62% das entrevistadas reajustaram os preços de seus produtos finais em resposta ao encarecimento de componentes e matérias-primas.
Entre essas empresas, 63% informaram reajustes médios de até 10% em relação aos preços praticados em dezembro de 2025. Desse grupo, 27% elevaram os preços em até 5%, enquanto 36% registraram aumentos entre 6% e 10%. Outros 15% promoveram reajustes entre 11% e 20%; 12% elevaram os preços entre 21% e 30%; e 10% relataram aumentos superiores a 31%.
A pesquisa também mostra que persistem dificuldades na obtenção de componentes. Em maio, 27% das empresas afirmaram enfrentar problemas para adquirir matérias-primas e componentes, percentual inferior aos 31% registrados em abril, mas ainda muito acima dos 3% observados no fim de 2025. As memórias foram o item mais citado entre os produtos com restrições de oferta.
Indicadores mostram recuperação parcial
A sondagem aponta melhora no desempenho das vendas em maio. Na comparação com o mesmo mês de 2025, 52% das empresas relataram crescimento das vendas ou encomendas, acima dos 46% registrados na pesquisa anterior. Em relação a abril, o percentual de empresas que informaram aumento nas vendas passou de 26% para 44%.
Ao mesmo tempo, cresceu a parcela das empresas que consideram o ritmo dos negócios abaixo do esperado. Esse percentual passou de 46% em abril para 53% em maio.
A utilização da capacidade instalada apresentou leve redução, de 77% para 76%. No mercado de trabalho, predominou a estabilidade: 83% das empresas mantiveram o número de empregados, enquanto 12% ampliaram o quadro de funcionários e 5% registraram redução.
Exportações e expectativas
No comércio exterior, o levantamento indica perda de dinamismo das exportações. Trinta por cento das empresas relataram crescimento das vendas externas, abaixo dos 39% registrados na pesquisa anterior, enquanto 32% apontaram queda.
Também permanecem desafios logísticos. Entre as empresas exportadoras, 19% relataram dificuldades no envio de cargas marítimas, percentual bem superior aos 2% registrados em janeiro. Nas importações, 23% informaram atrasos no recebimento de cargas, frente aos 12% observados no início do ano.
Mesmo diante desse cenário, a expectativa predominante continua sendo de crescimento. Sessenta e um por cento das empresas projetam aumento das vendas em 2026, embora esse percentual venha diminuindo ao longo dos últimos meses e esteja abaixo dos 81% registrados na sondagem de dezembro de 2025.




