Christian Gebara defende equilíbrio na regulação da IA

CEO da Vivo aponta riscos de sobrerregulação, vê potencial do Brasil para IA sustentável e afirma que operadoras são parte essencial do ecossistema digital

Christian Gebara, CEO da Vivo, durante o Painel Telebrasil 2025

O CEO da Vivo, Christian Gebara, defendeu durante entrevista ao Tele.Síntese durante o Painel Telebrasil 2025, em Brasília*, um marco regulatório de inteligência artificial que equilibre proteção de direitos fundamentais com incentivos à inovação. Ele destacou que as operadoras têm interesse direto na regulação da IA por serem responsáveis por toda a infraestrutura de conectividade que a tecnologia exige, incluindo redes de fibra óptica e data centers.

“A inteligência artificial não existe sem a digitalização. Tudo isso trafega pelas nossas redes. Esses data centers vão estar conectados pelas nossas redes. Então o Brasil só pode ter inteligência artificial se ele tiver uma conexão que suporte a inteligência artificial”, observou.

Gebara alertou para os riscos de um excesso de regras que inibam o desenvolvimento de novos modelos de negócio. Segundo ele, o setor acompanha o debate legislativo e atua para garantir um texto que assegure a privacidade, ética e soberania nacional, mas sem engessar a inovação. “Temos que proteger a privacidade, a ética, o uso correto da inteligência artificial. Por outro lado, a gente não pode sobrerregular para que iniba inovação.”

Vivo quer vender IA no B2B

O executivo também revelou que a Vivo pretende comercializar soluções de inteligência artificial para seus clientes empresariais, além de continuar integrando a tecnologia à operação interna e aos canais de atendimento. “Eu vejo a inteligência artificial atuando na criação de agentes para falar com o cliente, para melhora de processos internos, e por que não também ser uma provedora de inteligência artificial?”

Segundo Gebara, a Vivo é hoje uma das principais parceiras de empresas como Microsoft e OpenAI na venda de serviços em nuvem, segurança cibernética e aplicações digitais no Brasil.

Debate sobre fair share

Durante o painel, foi mencionada a possibilidade de o deputado Aguinaldo Ribeiro incluir o regime fiscal especial ReData no marco regulatório de IA. Gebara não se opôs, mas sugeriu que temas como o fair share — divisão de custos de rede entre grandes geradores de tráfego e operadoras — merecem tratamento específico: “O que não pode existir é uma lei que proíba acordos comerciais entre as empresas interessadas em compartilhar a responsabilidade pela conectividade no Brasil.”

*O jornalista viajou a convite da Conexis Brasil Digital

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Rafael Bucco

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