Freire vê data centers e IA no centro dos debates da Anatel em 2026

Relatório do gabinete de Freire destaca diretrizes sobre inteligência artificial, regulação de infraestrutura crítica e conectividade via TACs como pilares da atuação recente e futura.

Na reunião de ontem, 4, do Conselho Diretor da Anatel, Alexandre Freire apresentou o relatório anual de atividades do seu gabinete no ciclo de dezembro de 2024 a dezembro de 2025, com destaque para os temas que considera prioritários em 2026: data centers, inteligência artificial e conectividade significativa.

Alexandre Freire, conselheiro da Anatel, no Painel Telebrasil 2025 (Divulgação)
Alexandre Freire, conselheiro da Anatel, no Painel Telebrasil 2025 (Divulgação)

Além da consolidação da política regulatória para data centers e IA, o conselheiro elencou como metas para o ano que vem a preparação para o 6G, estratégias para computação distribuída, evolução normativa em espectro e infraestrutura, e ações voltadas à “conectividade significativa com sustentabilidade social e ambiental”.

Decisões e regulações no período

Durante os 12 meses cobertos pelo relatório, o gabinete do conselheiro participou de 332 circuitos deliberativos, deliberou 112 processos com mérito e realizou 75 audiências públicas e institucionais.

Entre os principais atos regulatórios relatados por Freire no período estão:

  • A consolidação normativa por meio do Regulamento Geral de Simplificação da Regulação (RGST);
  • O regulamento de sandboxes regulatórios;
  • O regulamento de uso temporário do espectro;
  • As diretrizes para uso de inteligência artificial em redes e serviços de telecomunicações;
  • A Resolução nº 780/2025, que inseriu data centers no escopo regulatório da Anatel e atribuiu responsabilidade solidária a marketplaces na venda de produtos não homologados.

O gabinete também acompanhou a aprovação do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT 2025–2029) e a autorização para implantação de novo cabo óptico subfluvial no escopo do PAC–PAIS. Segundo Freire, tais decisões contribuem para “oferecer oportunidades concretas a populações historicamente menos atendidas, como a população amazônida”.

Inclusão digital, TACs e concorrência

Na frente de consensualidade, o relatório destaca a revisão do Regulamento de TACs, que introduziu a figura do trustee, a criação de um banco de projetos e novos mecanismos de governança. O gabinete de Freire atuou como vistor no processo.

De acordo com o balanço do gabinete, “a atuação da Agência possibilitou a conversão de R$ 15,8 milhões em compromissos, especialmente voltados à conectividade de escolas remotas por satélite e à inclusão digital de populações vulneráveis”.

Também foi relatada a atualização do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), que incorporou novos parâmetros geográficos, atualizou modelos de custo e estabeleceu ofertas de referência obrigatórias. Para o conselheiro, a mudança manteve “a intervenção regulatória onde há risco anticoncorrencial e reduzindo obrigações em mercados mais desenvolvidos”.

Infraestrutura crítica e produção técnica

O relatório ressalta a Resolução nº 780/2025 como marco regulatório sobre infraestrutura crítica. Os temas são sensíveis e geraram reações entre o setor empresarial. Mas, segundo Freire, “ao reconhecer os data centers como infraestrutura crítica e incluir a responsabilidade dos marketplaces no regulamento de avaliação da conformidade, buscamos fortalecer a segurança e a resiliência do ecossistema digital”.

A produção técnica do gabinete no período incluiu três white papers: “Agenda 2030 e Telecomunicações”, “Data Centers no Brasil” e “Combate à Pirataria: Avanços e Desafios”, com foco em formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Nos comitês técnicos da Anatel — como o Comitê de Infraestrutura (C-INT) e o CEADI — a atuação envolveu estudos sobre IA aplicada a redes, computação em nuvem, sustentabilidade orbital e arquitetura de redes emergentes. Foram promovidos workshops, formações e iniciativas como o programa P@ed e o projeto Veredas Digitais. (Com assessoria de imprensa)

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Da Redação

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