CEO do Grupo TIM rebate ameaça de litígio e assegura venda da NetCo

Em conferência após divulgação de resultados, Pietro Labriola diz que lei italiana não permite que acionistas apreciem decisão de venda da infraestrutura de rede fixa e indica que unidade de cabos submarinos deve ter o mesmo destino
CEO do Grupo TIM rechaça ameaça de processo e garante venda da NetCo
Pietro Labriola, CEO do Grupo TIM, confia na conclusão da venda da NetCo (crédito: Divulgação)

Em conferência com analistas após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, nesta quinta-feira, 9, o CEO do Grupo TIM (antiga Telecom Italia), Pietro Labriola, rebateu ameaças de eventuais processos movidos por acionistas pela venda da NetCo à KKR. Além disso, o executivo assegurou que o negócio será concluído e que segue as normas da legislação italiana.

O conselho de administração da tele aprovou a oferta vinculante de 19 bilhões de euros do fundo norte-americano pela unidade de infraestrutura fixa no último domingo, 5. Segundo a operadora, a decisão não precisa ser levada para apreciação dos acionistas. O conglomerado de mídia francês Vivendi, maior investidor da tele, classificou o acordo de “ilegal” e ameaçou levar o caso à Justiça.

“Pela lei italiana, não é possível transferir tal competência aos acionistas”, afirmou Labriola.

O CEO ainda enfatizou que, com o apoio de assessorias jurídicas, a companhia se certificou de que a decisão sobre o ativo cabe exclusivamente à mesa diretora. Com isso, a conclusão da transação, prevista para meados do ano que vem, depende apenas da validação do órgão antitruste.

O governo italiano também pode exercer o chamado “golden power”, espécie de prerrogativa que visa a limitar o investimento estrangeiro em ativos estratégicos, o que a operadora acredita que não deve ocorrer.

“Essa transação não é nada mais do que a execução do plano de negócios aprovado em julho de 2022”, ressaltou Labriola. “Estamos confiantes em um resultado positivo”, acrescentou.

Na conferência, o diretor Jurídico do Grupo TIM, Agostino Nuzzolo, disse que, até o momento, a companhia não recebeu nenhuma notificação de acionistas questionando a transação. Segundo ele, mesmo que os investidores convoquem uma assembleia, “isso não terá impacto na execução do negócio”.

Nuzzolo indicou que a venda só pode ser bloqueada em caso de determinação da Justiça italiana, no sentido de que a diretoria da tele não teria autorização para seguir com a transação. “Francamente, estamos confiantes de que a transação será confirmada mesmo na Justiça”, pontuou.

Cabos submarinos

Além da NetCo, o Grupo TIM se dispõe a vender a Sparkle, braço de cabos submarinos. Inicialmente, a unidade de infraestrutura subaquática fazia parte da mesma oferta, mas foi desmembrada em meio às negociações com a KKR.

Labriola sinalizou que acordo pelo ativo deve ser fechado ainda neste ano, mesmo que tenha ficado para um segundo momento. O prazo para que o fundo norte-americano apresente uma proposta vinculante vai até 5 de dezembro.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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