CEO da Vero vê barreira a novos entrantes no 700 MHz

Em entrevista ao TV.Síntese, CEO da Vero, Fabiano Ferreira afirma que empresa segue analisando aquisições, e critica modelo do próximo leilão da Anatel por favorecer competidores que já têm espectro.

O CEO da Vero, Fabiano Ferreira, avalia que o mercado brasileiro de banda larga fixa seguirá em fase de consolidação em 2026. Segundo ele, a empresa está atenta a oportunidades de fusões e aquisições, embora a prioridade atual esteja concentrada no crescimento orgânico e na expansão da estratégia de convergência entre fibra, streaming e serviço móvel.

Em entrevista ao TV.Síntese, programa semanal do Tele.Síntese, o Ferreira, disse que a operadora “olha ativos constantemente para fazer aquisições”. A seu ver, a Vero tem participação ainda pequena no mercado nacional de banda larga, ao redor de 2,5%, o que deixa espaço para expansão.

Disse que negociações de compra e venda de ativos passam necessariamente pela discussão de valuation e pela captura potencial de sinergias. De acordo com o executivo, a análise de uma aquisição envolve fatores como ganho geográfico, possibilidade de venda de novos serviços sobre a base comprada, aumento do tempo de permanência do cliente e redução de churn.

Questionado sobre eventual venda da própria Vero, ele afirmou que não há discussão em andamento sobre o tema. Segundo Ferreira, a companhia já recebeu propostas no passado, mas “não temos nada hoje em discussão desse assunto”.

Faixa de 700 MHz entra no radar

Ferreira também disse que a Vero acompanha o leilão da faixa de 700 MHz, previsto para abril, mas ainda não decidiu se participará. A companhia critica as condições do certame.

“As regras que estão impostas não combinam com essa situação [busca por mais competição no móvel]”, afirmou, ao defender maior abertura do mercado móvel. Para ele, o desenho do leilão não está alinhado ao discurso de ampliação da competição em um setor que, segundo o executivo, segue concentrado.

Segundo ele, Vero apresentou pontos de contestação à Anatel sobre as condições para aquisição do bloco em 700 MHz, e continuará analisando o certame, mesmo reconhecendo que a probabilidade de chegar à sua vez de compra é baixa.

Pelas regras do edital, serão três rodadas pela faixa disponível. A primeira é dedicada a quem já possui espectro de 3,5 GHz, mas não possui 700 MHz – ou seja, podem competir aqui Brisanet, Unifique, Iez! Telecom. A segunda rodada é aberta a qualquer interessado, inclusive provedores ainda sem radiofrequências, como a Vero. Por fim, na terceira rodada, podem dar lances Claro, TIM e Vivo, que já têm blocos nos 700 MHz e espectro de 3,5 GHz.

Na entrevista, o executivo comenta ainda como a Vero pretende ganhar dinheiro com a inteligência artificial e fala de sua experiência com redes neutras em capitais. Confira a íntegra no vídeo acima.

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Rafael Bucco

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