Carteira digital promete gerar receita para titulares de dados

A dWallet será lançada até o final do ano e vai armazenar certificados que garantem integridade, qualidade e valor de dados detidos por um titular

Um novo mercado está prestes a surgir: o dos certificados de dados pessoais, que poderão ser guardados e geridos pelos titulares em uma carteira digital. Se vai ser ou não um sucesso, ainda é cedo para dizer. Mas já há grandes players interessados em mergulhar na oportunidade.

Hoje, 31, a empresa DrumWave anunciou o lançamento primeiro no Brasil de sua carteira digital de dados, a dWallet. O produto foi anunciado durante o evento Think, da IBM, em São Paulo e promete ser pioneiro de um segmento que ainda não existe.

A IBM será a parceira fornecedora da infraestrutura de nuvem e inteligência artificial utilizada pela DrumWave para colocar o produto em pé.

A DrumWave faz parte da IBM Open Ventures, uma iniciativa no Brasil baseada em inovação aberta, com o objetivo de identificar e integrar scale-ups por meio de treinamento e implementação de automação, inteligência artificial, segurança. A IBM também auxilia na expansão para novos mercados.

Mas o que é essa carteira de dados?

Segundo Fernando Teles, presidente da DrumWave, é um aplicativo que vai reunir todos os certificados de um titular de dados.

A DrumWave vai fornecer a empresas que tratam grandes volumes de dados um serviço de mapeamento, valoração e certificação dos dados armazenados no data center, por titular.

Dessa forma, quando o titular requisitar os dados, a empresa que os tratou poderá entregá-los e certificar sua autenticidade e valor.

O titular do dado, diz Teles, terá condição de autorizar que outras empresas acessem esses dados, agora certificados, e receber alguma remuneração, desconto ou benefício em troca.

O executivo reconhece que a carteira não vai gerar grandes valores para os usuários por mês, a ponto de representar uma renda extra. Mas diz que gera um mercado global relevante de certificados, corretores, e melhora a qualidade dos dados que circulam comercialmente sob consentimento dos titulares.

“É um produto sobre o valor do dado e a transparência do uso desse dado. O dono do seu dado vai ser o titular, quem gerou o dado. Todos geramos uma infinidade de dados todos os dias: localização, saúde, finanças. Agora será possível atribuir valor a isso, cobrar para que terceiros tenham acesso e dizer que uso poderá ser feito e por quanto tempo”, afirma Teles.

Embora para pessoas físicas o valor gerado possa ser pequeno, Teles diz que há boas oportunidades para empresas. “Imagine uma empresa de logística, que coleta e armazena dados de dezenas de veículos que transportam os pacotes. Agora esses dados poderão ser comercializados com certificação”, defende.

O modelo de negócio da DrumWave será baseado em comissão a cada transação feita por usuário do direito de uso daquele conjunto de dados certificado.

A dWallet da DrumWave será lançada em aplicativo no Brasil no último trimestre do ano. Em 2023, será lançada no resto do mundo, sempre a partir da infraestrutura da IBM, começando pelos Estados Unidos. Empresas poderão incorporar a carteira a seus apps. “Como bancos, seguradoras, empresas de saúde”, propõe.

Além dos negócios possíveis para os geradores de dados, Teles acredita que a carteira de dados vai levar ao surgimento de agentes especializados em reunir certificados de várias pessoas e comercializar tal conteúdo.

O olhar da DrumWave recai sobre o grande volume de dados pessoais armazenados de forma variada na nuvem pública e nas nuvens privadas mundo afora. Conforme o executivo, o mercado de dados pessoais adiciona US$ 1,8 trilhão ao PIB mundial por ano. “Isso ainda vai aumentar muito. E agora, todos poderão participar desse mercado”, promete.

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Rafael Bucco

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