Brisanet cobra desoneração do 5G rural

Brisanet pede desoneração de Fistel sobre celulares 5G e estações para interiorizar rede; Anatel defende editais, sandbox e fundos como alternativas.

José Roberto Nogueira, CEO da Brisanet, na plateia durante debate no Painel Telebrasil 2025, pediu a palavra e colocou a desoneração do 5G rural nos holofotes. Ele disse que 30% da sua base é rural, com atendimento em cerca de 4 mil localidades — muitas com menos de mil domicílios — e questionou os painelistas sobre três pontos: desoneração de celulares 5G para tornar o terminal acessível no campo, revisão do Fistel tanto para dispositivos quanto para estações, e diretrizes para data centers como infraestrutura essencial à expansão do 5G.

Foto: Anatel e setor de telecomunicações debatem sobre conectividade e desoneração
Foto: Anatel e setor de telecomunicações debatem sobre conectividade e desoneração/Crédito: Conexis

O superintendente executivo da Anatel, Gustavo Borges, reforçou que editais de radiofrequência permanecem o principal instrumento para levar rede a áreas de baixo retorno, citando futuras licitações nas faixas de 850 MHz, 700 MHz e 6 GHz com compromissos de cobertura. Destacou ainda a concorrência — impulsionada pela entrada de milhares de provedores regionais — como vetor de expansão de acessos em fibra, e apontou a inovação (ex.: direct-to-device e NTN) como complementar para fechar lacunas de cobertura.

Sobre desoneração ampla no meio rural, Borges reconheceu a pertinência do debate, mas ressaltou a necessidade de “fechar a conta”, sinalizando que a avaliação envolve impactos fiscais e regulatórios. Como instrumentos adicionais, citou o sandbox regulatório, a conversão de sanções em obrigações de fazer, adaptações contratuais e o uso de fundos setoriais para atacar “gaps” prioritários, inclusive além de infraestrutura, como acessibilidade a terminais.

Visões setoriais: terminais, redes não terrestres e densidade de ERBs

O diretor de Relações Institucionais da Qualcomm, Maximiliano Martinhão, alinhou quatro frentes com potencial transformador: redes privativas, IA na borda, IoT e redes não terrestres (NTN), defendendo estabilidade regulatória e a renovação da desoneração de IoT para evitar retração do mercado. Sugeriu política focalizada de redução tributária para terminais em áreas remotas, com recorte geográfico e de valor.

O VP de Relações Públicas da Huawei para América Latina e Caribe, Atilio Rulli, apontou que o Brasil carrega legados de política industrial de dispositivos que elevam preços e restringem a adoção do 5G; defendeu revisão ampla, inclusive com incentivos a equipamentos e densificação de estações radiobase, lembrando que o país tem baixa densidade de sites em comparação internacional.

Já Lucas Aliberti (V.tal) enfatizou que a rede neutra e o compartilhamento de infraestrutura (acesso, backbone e suporte a constelações satelitais) elevam a produtividade do investimento e permitem escalar cobertura e capacidade de forma eficiente — condição para sustentar novas aplicações e o crescimento de tráfego.

O gerente regulatório da Algar, Hugo Mortoza, defendeu que conectividade deve vir acompanhada de serviços de TI e IA, e reforçou a importância de um ambiente competitivo interoperável, sem “ilhas de rede”. Alinhado ao ponto da Brisanet, apoiou desonerações para terminais e para IoT, alertando que custos adicionais por uso de redes de terceiros podem criar barreiras ao desenvolvimento do ecossistema.

Avatar photo

Paula Coutinho

Jornalista com mais de 20 anos de experiência profissional, com passagem pela grande imprensa, em jornais diários, semanários, revistas, rádios e emissoras de TV.

Artigos: 284