Brasil dá exemplo com projeto de conectividade nas escolas, diz UIT

Iniciativa de inclusão em telecomunicações que utiliza recursos do leilão do 5G é elogiada por Doreen Bogdan-Martin, secretária-geral da UIT, no MWC 2023
Brasil dá exemplo com projeto de conectividade nas escolas, diz UIT
Para UIT, Brasil serve de exemplo com projeto de conectividade nas escolas

A iniciativa do Brasil de destinar parte dos recursos arrecadados no leilão do 5G ao projeto de conectividade em escolas públicas foi apontada pela secretária-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Doreen Bogdan-Martin, como exemplo de boa prática de inclusão associada à política de telecomunicações.

A declaração foi dada nesta segunda-feira, 27, durante palestra de Bogdan-Martin no Mobile Word Congress (MWC), que acontece em Barcelona, na Espanha.

“Há alguns anos, o Brasil fez da conexão de escolas um requisito no leilão do 5G. E parte dos rendimentos foi destinado para investir na conectividade de escolas e na infraestrutura de conectividade. É a isso que me refiro quando precisamos falar sobre inovação”, afirmou a secretária-geral da UIT.

O projeto de conectividade das escolas, batizado de Aprender  Conectado, conta com recursos da ordem de R$ 3,1 bilhões. A Entidade Administrativa da Conectividade nas Escolas (EACE) é a organização responsável por pôr a iniciativa em prática, que é supervisionada pelo Gaispi, grupo presidido pela Anatel, que tem também representantes do governo e das operadoras que compraram a faixa de 26 GHz no leilão.

“Precisamos ser grandes e ousados”, frisou Bogdan-Martin, referindo-se ao programa brasileiro.

Ao longo de sua apresentação no MWC, Bogdan-Martin reforçou a necessidade de “conectar as comunidades que estão para trás”. Segundo a UIT, atualmente, 2,7 bilhões de pessoas ao redor do mundo não têm acesso à internet.

Além disso, a secretária-geral destacou que, após um ano, a iniciativa Partner2Connect, que visa a levar internet às comunidades mais isolados do mundo, arrecadou quase US$ 30 bilhões por meio de pouco menos de 600 comprometimentos. “É um bom começo, mas não é o suficiente, não está nem perto de ser suficiente”, salientou.

Na apresentação, Bogdan-Martin ainda afirmou que “a melhor maneira de mensurar sucesso é atingindo os objetivos de sustentabilidade da ONU [Organização das Nações Unidas]” e defendeu, como esforço para reduzir o fosso digital, a padronização de tecnologias, citando o 6G. “Desenvolver padrões é falar a mesma língua, tornar a tecnologia mais eficiente e sustentável”, reiterou.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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